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*Graduada em Nutrição, Araçatuba 2007. Especialista em Nutrição Funcional (VP São Paulo, 2010), Nutrição Ortomolecular (FAPES, São Paulo 2012) e Fitoterapia Funcional (VP Campinas, 2014). Participação ativa em Congressos e Cursos da área Funcional. *Atendimento em consultório desde 2008. Clínica Portinari - 18 3305-5838
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

DEPRESSÃO E ALERGIAS




Recentemente a revista Saúde publicou uma reportagem abordando a relação entre alergias e depressão. Segundo a reportagem, as crises alérgicas funcionam como importantes gatilhos para os transtornos emocionais em pessoas predispostas.

De acordo com a matéria, estudos demonstram uma maior prevalência de alergias, principalmente do trato respiratório, em pessoas com depressão ou transtorno bipolar. Estes estudos sugerem que durante os períodos de crise alérgica, há uma piora no estado de humor e que o tratamento das alergias pode impedir as crises depressivas. O que a revista deixou de mencionar é que as alergias alimentares também apresentam uma relação estreita com transtornos do sistema nervoso central (SNC), podendo agravar ou mesmo desencadear o problema.

As alergias alimentares relacionadas a transtornos no SNC ocorrem, normalmente, porque alguns alimentos contêm proteínas de difícil digestão. Após ingerirmos esses alimentos, essas proteínas mal digeridas chegam ao intestino e podem escapar para a corrente sanguínea. E é aí que começa a “guerra”! Essas moléculas mal digeridas são entendidas pelo nosso organismo como um “agressor”. Nosso corpo começa, então, a atacar este “agressor”, causando inflamação e muitas vezes danos em órgãos e tecidos.

Para piorar esta guerra, algumas dessas moléculas mal digeridas são muito parecidas com células do nosso próprio corpo. Durante esta batalha, nosso organismo pode se confundir e atacar as nossas próprias células. Caso este processo ocorra no sistema nervoso central, por exemplo, pode levar a sintomas de depressão, transtornos de humor, hiperatividade, ansiedade, déficit de atenção, enxaqueca, esquizofrenia, entre outros.

Como se não bastasse isso, esses alimentos alergênicos acabam “irritando” o intestino e dificultando a absorção de diversos nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo. Esta má absorção intestinal pode diminuir a produção dos neurotransmissores (como a serotonina, por exemplo), já que a produção dos mesmos depende de diversos nutrientes vindos da alimentação.

Diversos estudos comprovam a elevada incidência de alergias em pessoas que apresentam transtornos neurológicos. Alguns chegam a encontrar uma prevalência de até 100% de alergias nesses indivíduos. Algumas pesquisas também demonstram melhoras de sintomas como depressão, esquizofrenia, hiperatividade, ansiedade, dificuldade de concentração e confusão mental após a retirada de alimentos alergênicos da dieta. De acordo com esses estudos, os alimentos frequentemente relacionados a esses sintomas são os que contém glúten (trigo, cevada, centeio, aveia), laticínios, clara de ovo, açúcar, chocolate e frutas cítricas. Tomate e alguns corantes e conservantes (como o ácido benzoico) também podem estar relacionados, porém, com menor frequência.

Dentre os alimentos citados, o glúten e os laticínios parecem ser os de maior influência neste processo. Além do alto potencial alergênico, esses alimentos geram substâncias que possuem efeito opioide. Essas substâncias, conhecidas como caseomorfina e gluteomorfina, interferem na atividade dos neurotransmissores no cérebro, agravando ainda mais os distúrbios neurológicos.

Algumas pesquisas também demonstram que o glúten pode prejudicar a circulação, diminuindo o fluxo sanguíneo para o cérebro. Com menos sangue circulando em nosso cérebro, é como se estivéssemos “ligados” em uma voltagem menor. Isto pode desencadear apatia, letargia, dificuldade de aprendizado e concentração ou até mesmo agravar transtornos de humor importantes, como os já citados.

Mas não espere que ao ingerir estes alimentos, os sintomas apareçam imediatamente. Este tipo de alergia, conhecida como alergia tardia, pode desencadear sintomas até 4 dias após a ingestão do alimento, o que dificulta ainda mais a identificação dos “culpados”. Além disso, as reações podem variar de acordo com a individualidade de cada um. Assim, é essencial procurar um profissional capacitado a fim de auxiliar no diagnóstico e tratamento dessas alergias, que poderá identificar com precisão qual ou quais são os alimentos alergênicos para cada indivíduo.

Não se surpreenda, portanto, se daqui a alguns anos, o tratamento nutricional fizer parte da terapêutica para depressão e outras desordens neurológicas. Como visto, alimentação e emoção têm tudo a ver!

* Texto elaborado pela Dra. Gisele Pagliarini Silva, aluna bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Depressão e Alimentos


Você sabia que a alegria e a tristeza também têm sua origem bioquímica no laboratório que carregamos dentro de nós? Através da "Nutrição Inteligente" podemos dar uma "mãozinha" nessa bioquímica.
Alguns alimentos fornecem nutrientes e substâncias que participam da produção dos neurotransmissores, mensageiros químicos que favorecem a comunicação entre as células do Sistema Nervoso.

Veja a seguir que alimentos você pode incluir no seu dia-a-dia e assim ajudar a espantar a depressão.

Triptofano e Carboidratos

Dos vários neurotransmissores, a serotonina exerce grande influência no estado de humor. Ela é também conhecida como a substância "mágica" e "sedativa" que melhora o humor de um modo geral, principalmente em pessoas com depressão.

Os níveis cerebrais de serotonina são dependentes da ingestão de alimentos fontes de triptofano (aminoácido precursor da serotonina) e de carboidratos.

A ingestão de carboidratos leva ao aumento nos níveis de insulina, que auxiliam na "limpeza" dos aminoácidos circulantes no sangue. Nessa limpeza de aminoácidos só escapa o triptofano na barreira hemato-encefálica.

O triptofano, uma vez no cérebro, aumenta a produção de serotonina que é o neurotransmissor capaz de reduzir a sensação de dor, diminuir o apetite, relaxar e até induzir e melhorar o sono.

Uma alimentação pobre em carboidratos, por vários dias, pode levar a alterações de humor e depressão, assim como uma alimentação com excesso de proteínas.

O caminho é o equilíbrio! Nem de menos, nem de mais.

Fontes de triptofano: queijo branco, nozes, banana, arroz, batata, feijão, lentilha, castanhas, abacate, soja e derivados. Alguns carboidratos como pães e cereais integrais, biscoitos integrais, massas integrais, arroz integral e selvagem, legumes, frutas e mel.


Folato anti-deprê


O Folato ou ácido fólico é uma potente vitamina antidepressiva natural.

Em baixas concentrações no organismo, diminui os níveis cerebrais de serotonina.

Fontes de Folato: espinafre, feijão branco, laranja, aspargo, couve de Bruxelas, maçã e soja.


Vitamina B6 com prazer

Faz parte de uma enzima "chave" que participa da produção dos neurotransmissores norepinefrina e serotonina e conseqüentemente melhora o humor.

Fontes de B6: frango, atum, banana, cereais integrais, levedo de cerveja, arroz integral, cará, alho e sementes de gergelim.



O Cálcio nosso de cada dia

Diariamente o cálcio deve fazer parte do cardápio de homens e mulheres e assim garantir ossos e dentes saudáveis e ainda de "quebra" doses extras de bom humor!

Os estudos mostraram que esse importante mineral ajuda a controlar e reduzir a irritabilidade e o nervosismo em mulheres que sofrem de TPM (tensão pré-menstrual). Participa da transmissão de impulsos nervosos e contrações musculares. Regulariza a pressão arterial e os batimentos cardíacos.
Fonte: gergelim, brócolis, soja, couve, repolho

Magnésio, o grande colaborador do Cálcio

Além de ser colaborador do Cálcio, o Magnésio está também envolvido na regulação dos níveis de serotonina.

Participa da produção de energia, da contração muscular, da manutenção da função cardíaca normal e da transmissão dos impulsos nervosos.

Fontes de Magnésio: tofu, soja, caju, tomate, salmão, espinafre, aveia, arroz integral.



Selênio, um mineral magistral

Segundo os pesquisadores, tudo indica que o selênio tem uma grande participação no estado de humor. Pessoas que tem carência de selênio são mais depressivas, irritadas e ansiosas.

Fontes de selênio: castanha do Pará, nozes, amêndoas, atum, semente de girassol, trigo integral, peixes. (2 castanhas do Pará, diariamente, fornecem 200 microgramas de Selênio de forma segura).



Ômega-3, uma gordura do Bem

Os estudos clínicos vem mostrando que os ácidos graxos ômega-3 além de proteger o coração e as artérias, auxiliar na redução do colesterol, manter estáveis os níveis da pressão arterial, fortalecer o sistema imunológico, podem ainda auxiliar nos tratamentos contra depressão. Pessoas que receberam doses de ômega-3 apresentaram melhora nos sintomas de depressão.

Fontes de ômega-3: salmão, atum, bacalhau, arenque, cavalinha, sardinha, truta, óleos de peixe e sementes de linhaça.



Pimenta, uma medida picante

As pesquisas científicas constataram que o uso da pimenta vermelha, durante às refeições, proporciona ação no Sistema Nervoso Simpático com respectivo aumento da liberação de noradrenalina e adrenalina, ambos responsáveis pelo estado de alerta e melhora de ânimo em pessoas deprimidas.