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*Graduada em Nutrição, Araçatuba 2007. Especialista em Nutrição Funcional (VP São Paulo, 2010), Nutrição Ortomolecular (FAPES, São Paulo 2012) e Fitoterapia Funcional (VP Campinas, 2014). Participação ativa em Congressos e Cursos da área Funcional. *Atendimento em consultório desde 2008. Clínica Portinari - 18 3305-5838
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domingo, 3 de agosto de 2014

Coma de acordo com seu DNA!!!



Diferente do que muitas pessoas pensam a palavra “dieta” não quer dizer modismo alimentar ou somente restringir um alimento por determinado período.

A palavra “dieta” vem do grego “díaita” quer dizer “hábitos alimentares individuais” ou “modo de viver”, para os gregos a alimentação era o melhor remédio e o meio de manter a saúde. Hipócrates o pai da Medicina indicava os alimentos para diversos tipos de doença, Lucrécio filósofo romano (96 a.C.-55 a.C.) disse uma frase que não poderia ser mais atual: “O que é alimento para um homem pode ser potente veneno para outro”.

Com o avanço da ciência estamos cada vez mais próximos de desvendar a dieta ideal para cada um de nós, desta forma poderemos alcançar a tão sonhada longevidade, e o mais importante: com qualidade de vida!!

A ciência que desvenda as variantes genéticas para alimentos e bebidas já chegou! Portanto já é possível realizar testes genéticos para uma dieta realmente personalizada!

Os cientistas com estudo na  área da Nutrigenética e Nutrigenômica estão descobrindo genes relacionados a obesidade, aumento de triglicérides, fatores alimentares que aumentam o risco para hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, etc.

Algumas definições:

- NUTRIGENÔMICA (ou Genômica Nutricional) é o estudo de como alimentos, nutrientes e outros compostos bioativos ingeridos influenciam o nosso genoma. Portanto, a Nutrigenômica permite estudar ao longo do tempo a influência da dieta na estrutura e expressão dos genes, favorecendo condições de saúde ou de doença, os estudiosos relacionam dados genéticos de indivíduos saudáveis ou doentes com a sua dieta para alcançar as conclusões sobre as interferências da dieta na estrutura e expressão genética.

- GENOMA: o conjunto de todas as moléculas de DNA de um determinado ser vivo. Nestas moléculas encontram-se os genes, que guardam as informações para a produção de todas as proteínas que caracterizam os seres.

- NUTRIGENÉTICA estuda como a constituição genética de uma pessoa afeta sua resposta à dieta.

Buscando oferecer o que há de mais atualizado para elaborar dietas personalizadas eu tenho disponível na clinica os kits para coleta de saliva, este material é enviado para Universidade de Toronto no Canadá e após os resultados dos testes genéticos a dieta será planejada!!

O kit que utilizo na clinica analisa variantes relacionadas à 8 genes que foram estudados e publicados em revistas renomeadas e revisadas por especialistas.
 
1. Vitamina C: é um nutriente essencial, níveis baixos de vitamina C no sangue foram associados  com doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e câncer. Algumas pessoas não processam a vitamina C da dieta com a mesma eficiência que outras e possuem maior risco de desenvolverem deficiência de vitamina C. A habilidade em processar esta vitamina depende da variação genética individual em um gene chamado Glutationa S-transferase  (GSTT1). Os indivíduos com a variante Del possuem maior risco de desenvolver deficiência de vitamina C quando comparados com a variante Ins. Consumir a quantidade correta de vitamina por dia pode proteger contra esta deficiência.

2. Ácido fólico: é uma vitamina necessária para o crescimento e desenvolvimento celular. Baixos níveis sangüíneos estão associados à elevação da homocisteína, podendo aumentar o risco para doenças cardíacas, derrame cerebral, etc. Algumas pessoas não utilizam o folato da dieta de maneira eficiente e apresentam maior risco de deficiência. O gene chamado metilenotetrahidrofotato redutase (MTHFR) converte o folato da dieta em uma forma ativa do nutriente, uma variante deste gene faz com que reduza essa transformação, neste caso para não haver deficiência o indivíduo deve consumir quantidades adequadas de folato em sua dieta.


3. Grãos integrais: algumas pessoas podem se beneficiar mais com uma adequação da carga e índice glicêmico da dieta, principalmente aquelas com uma variante no gene do Fator de Transcrição 7-tipo 2 (TCF7L2), esta proteína ativa e desativa diversos genes e é um dos preditores  mais consistentes da probabilidade de desenvolvimento do diabetes tipo 2. O kit que tenho disponível analisa a variante no TCF7L2, para identificar pessoas que podem possuir o risco maior de desenvolver diabetes tipo 2 e que podem beneficiar-se ao reduzir o índice e carga glicêmica em sua dieta.

4. Ômega-3: é uma gordura encontrada em peixes gordurosos e foram associadas com redução no risco de doenças cardíacas, provavelmente, isso se deve, em parte, à capacidade de diminuir os níveis sanguíneos de triglicérides que prejudicam a circulação sanguínea. Estudos demonstram resultados diferentes na redução do triglicérides de indivíduos. Algumas pessoas apresentam uma redução significante enquanto outras apenas uma discreta redução dos níveis de triglicérides. As razões para essas diferenças eram desconhecidos até um estudo recente mostrar que o efeito do ômega-3 nos níveis de triglicérides depende de variações em um gene chamado NOS3.  O kit analisa esta variante para identificar indivíduos que podem melhorar seus níveis de triglicérides aumentando o consumo de gordura ômega-3. Para pessoas com esta variante o consumo de gordura ômega-3 deve ser aumentado na dieta.

5. Gordura Saturada: esta variante analisa o gene APOA2 que tem relação com a obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares. A variante neste gene justifica porque algumas pessoas são mais propensas à obesidade quando consomem a mesma quantidade de gordura saturada que outras, neste caso é extremamente importante que estes indivíduos limitem a ingestão de gordura saturada.
 



6. Sódio: O sódio desenvolve funções importantes na regulação do volume dos fluidos extracelulares e do equilíbrio ácido-básico do organismo. Os portadores de uma variante genética Enzima Conversora da Antiotensina (ACE) são mais sensíveis aos efeitos de uma dieta rica em sódio, aumentando a probabilidade de desenvolver hipertensão e doenças correlatas.



7. Cafeína: A cafeína é encontrada principalmente no café, no chá e no chocolate. Uma das propriedades mais conhecidas da cafeína é a estimulante. Estudos recentes demonstram que pessoas que possuem um metabolismo lento da cafeína, provocado por uma variante genética específica (CYP1A2) apresentam um aumento do risco de infarto do miocárdio.



8. Doença celíaca ou Sensibilidade ao glúten: A doença celíaca é uma doença autoimune e é reconhecida há muito tempo como tendo origem genética ligada ao complexo maior de histocompatibilidade ou HLA. Essa doença é associada à presença de antígenos HLA de classe II DQ2 e DQ8. Cerca de 90-95% dos indivíduos celíacos apresentam o haplotipo DQ2 e cerca de 5% apresentam o haplotipo DQ8. Este teste genético é o mais abrangente para a intolerância ao glúten e analisa seis variações do HLA para determinar se você tem um baixo, médio ou alto risco em ser sensível ao glúten.





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Referências
www.nutrigenomix.com.br
 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Dieta sem glúten reduz a inflamação, adiposidade e resistência à insulina associada à indução de PPAR-alfa e PPAR-gama expressão.

Artigo brasileiro do Departamento de Alimentos, Faculdade de Farmácia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG.
 
Ele demonstra que a exclusão do glúten foi eficaz para redução da resistência à insulina e síndrome metábólica em pessoas que não tem a doença celíaca.
 
Muito interessante saber que já estão saindo artigos brasileiros sobre o assunto!!!
 
 
 
2012 Dec 17. pii: S0955-2863(12)00226-4. doi: 10.1016/j.jnutbio.2012.08.009. [Epub ahead of print]
 

Gluten-free diet reduces adiposity, inflammation and insulin resistance associated with the induction of PPAR-alpha and PPAR-gamma expression.

Source

Departamento de Alimentos, Faculdade de Farmácia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brazil; Departamento de Bioquímica e Imunologia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brazil. Electronic address: fabiola_lacerda@yahoo.com.br.

Abstract

Gluten exclusion (protein complex present in many cereals) has been proposed as an option for the prevention of diseases other than coeliac disease. However, the effects of gluten-free diets on obesity and its mechanisms of action have not been studied. Thus, our objective was to assess whether gluten exclusion can prevent adipose tissue expansion and its consequences. C57BL/6 mice were fed a high-fat diet containing 4.5% gluten (Control) or no gluten (GF). Body weight and adiposity gains, leukocyte rolling and adhesion, macrophage infiltration and cytokine production in adipose tissue were assessed. Blood lipid profiles, glycaemia, insulin resistance and adipokines were measured. Expression of the PPAR-α and γ, lipoprotein lipase (LPL), hormone sensitive lipase (HSL), carnitine palmitoyl acyltransferase-1 (CPT-1), insulin receptor, GLUT-4 and adipokines were assessed in epidydimal fat. Gluten-free animals showed a reduction in body weight gain and adiposity, without changes in food intake or lipid excretion. These results were associated with up-regulation of PPAR-α, LPL, HSL and CPT-1, which are related to lipolysis and fatty acid oxidation. There was an improvement in glucose homeostasis and pro-inflammatory profile-related overexpression of PPAR-γ. Moreover, intravital microscopy showed a lower number of adhered cells in the adipose tissue microvasculature. The overexpression of PPAR-γ is related to the increase of adiponectin and GLUT-4. Our data support the beneficial effects of gluten-free diets in reducing adiposity gain, inflammation and insulin resistance. The data suggests that diet gluten exclusion should be tested as a new dietary approach to prevent the development of obesity and metabolic disorders.
Copyright © 2012 Elsevier Inc. All rights reserved.

TRADUÇÃO:  (GOOGLE TRADUTOR)

Exclusão glúten (proteína presente complexo em muitos cereais) tem sido proposto como uma opção para a prevenção de outras doenças que não a doença celíaca. No entanto, os efeitos de dietas sem glúten sobre a obesidade e os seus mecanismos de acção ainda não foram estudados. Assim, nosso objetivo foi avaliar se a exclusão do glúten pode impedir a expansão do tecido adiposo e suas conseqüências. Murganhos C57BL / 6 foram alimentados com uma dieta rica em gordura contendo 4,5% de glúten (de controle) ou sem glúten (GF). Os ganhos de peso corporal e de gordura corporal, de rolamento de leucócitos e a aderência, a infiltração de macrófagos e a produção de citocinas no tecido adiposo foram avaliados. Perfis sanguíneos de lipídios, glicemia, resistência à insulina e adipocinas foram medidos. A expressão do PPAR-α e γ, lipoproteina lipase (LPL), a hormona lipase sensível (HSL), palmitoil-carnitina aciltransferase-1 (CPT-1), receptor de insulina, GLUT-4 e adipocinas foram avaliados em gordura epidydimal. Sem glúten animais apresentaram uma redução no ganho de peso corporal e adiposidade, sem mudanças na ingestão de alimentos ou excreção de lipídios. Estes resultados foram associados com a regulação positiva de PPAR-α, LPL, HSL e CPT-1, que estão relacionados com a lipólise e oxidação de ácidos gordos. Houve uma melhora na homeostase da glicose e pró-inflamatória superexpressão relacionadas ao perfil de PPAR-γ. Além disso, a microscopia intravital mostraram um menor número de células aderidas na microvasculatura do tecido adiposo. A sobre-expressão de PPAR-γ está relacionado com o aumento de adiponectina e GLUT-4. Os nossos dados suportam os efeitos benéficos das dietas sem glúten em reduzir o ganho de adiposidade, inflamação e resistência à insulina. Os dados sugerem que a exclusão de glúten dieta deve ser testado como uma nova abordagem de dieta para prevenir o desenvolvimento da obesidade e distúrbios metabólicos.

domingo, 29 de abril de 2012

Doença Celíaca

Estava lendo um livro lançando pela Acelbra: Vida sem glúten. Nele tem vários depoimentos de pessoas que contam suas lutas durante anos e anos para chegar ao diagnóstico de doença celíaca ou sensibilidade ao glúten. Vou postar um depoimento que achei interessante e que pode ajudar muita gente que sofre dos mesmos sintomas:


"Depoimento 6 - tópico Depoimentos e Histórias - março /2011 Tenho 37 anos e sempre sofri de constipação, aftas,menstruação irregular e por ter ovários policísticos eu passei a ser pré-diabética.

 Tive dificuldades para engravidar e depois que engravidava eu perdia. Perdi quatro bebês. O primeiro, com 5 meses de gestação devido ao colo do útero flácido. O segundo, com 2 meses de gestação (sem explicação). O terceiro, com pouco mais de 6 meses degestação.

Quando engravidei da minha única filha, A., eram gêmeas, mas perdi a irmã dela com 2 meses de gestação, também sem explicação. Após o nascimento da minha filha respirei aliviada, afinal eu havia conseguido realizar o meu sonho: ser mãe! Porém eu não sabia o que estava por vir. Desde que a A. nasceu, ela tinha fortes cólicas abdominais e desde quando aprendeu a falar não teve um dia sequer que não reclamava: “Mamãe, barriguinha dodói.” Entre 1 e 2 aninhos a minha filha tomou antibiótico de 20 em 20 dias, sempre com sinusite ou problemas respiratórios. Sempre sofreu de constipação severa, abdômen muito distendido, excesso de gases e parecia ter barriga d’água.

Quando ela tinha 1 ano e 9 meses procurei um gastro e feito os exames constatou-se que ela tinha intolerância a lactose. Entrei com o leite de soja e pensei que o problema seria resolvido. Ela melhorou e finalmente pela primeira vez desde o seu nascimento eu consegui dormir uma noite inteira de sono porque ela não teve dores abdominais. No entanto, logo após 1 mês percebi que os sintomas persistiam e comecei a entrar em grupos de discussão na internet, mandar e-mails para médicos e pesquisar. Enquanto o meu marido e a minha filha dormiam eu varava a noite fazendo pesquisas na biblioteca da UNICAMP e PubMed. Pedi ao médico o exame de cintilografia porque desconfiei que ela estivesse com refluxo oculto. Ainda que relutante, ele me deu o pedido e em meia hora de exame ela teve 3 episódios de refluxo oculto. Começou o tratamento mas ainda assim percebi que algo de errado continuava ocorrendo. Continuei pesquisando.

A família dizia que eu estava neurótica por tudo o que eu havia passado para ser mãe. Até uma gastropediatra me disse em uma consulta: “Mãe, vá para a casa - você está neurótica. A sua filha não tem nada. E digo mais: volte a dar o leite de vaca para ela.” Saí do consultório revoltada porque o meu instinto de mãe me dizia que ela tinha alguma coisa, porque não era normal uma criança bem cuidada viver sempre doentinha e com aqueles sintomas.

Após um “tour” por vários gastros, alergistas e pediatras e sem nenhuma solução, em minhas pesquisas li sobre a doença celíaca. Na maioria dos casos a pessoa tem diarreia, mas no caso da minha filha ela tinha constipação severa. Ela chegou a ficar internada por excesso de gases! Sem mais gastropediatras para ir, pois eu já havia ido em todos do meu convênio e alguns particulares, a levei em um gastro adulto e já entrei no consultório dizendo que eu tinha quase 100% de certeza que ela era celíaca. Até aí a minha filha estava há 1 ano sem ganhar peso e crescendo muito pouco.

Finalmente, em set/2009, com 2 anos e 6 meses ela fez a endoscopia com biópsia do duodeno e o diagnóstico foi fechado: a minha filha é celíaca. Eu nunca tinha ouvido falar sobre esta doença e era tudo muito desconhecido para mim. Continuei lendo e pesquisando e essa comunidade me ajudou muito. O primeiro pão que eu fiz para ela ficou duro no dia seguinte e eu achei que tivesse feito algo de errado. Aqui me explicaram que não era só ler nos rótulos que “não contém glúten”, mas que eu deveria ligar no SAC das empresas para confirmar a isenção do glúten. E aí descobri várias marcas de coisas que ela estava consumindo que tinham contaminação cruzada por glúten. Denunciei na ANVISA e comecei a batalhar junto aos demais membros desta comunidade. Testei muitas receitas sem glúten das quais inúmeras delas foram para o lixo. Eu perdia tempo e ingredientes. Eu tinha medo de colocá-la na escola e que ela se contaminasse. Tive dias de depressão onde eu ia ao supermercado e chorava.Tinha ódio mortal de tudo o que tinha glúten - não suportava pegar nas mãos um produto que tivesse glúten. A pele da minha filha tinha uns carocinhos desde quando ela nasceu e eu já havia gastado muito dinheiro com pomadas e nada resolvia. Nesta comunidade eu peguei a relação dos produtos de higiene que contém glúten e vi que ela sempre usou um condicionador que tinha glúten.

CONCLUSÃO: Com duas semanas do início da dieta a minha filha não reclamou mais de dorzinha na barriga. Começou a ganhar peso e a crescer rapidamente. A sua pele está linda! Preparei-a durante 1 ano antes de colocá-la na escolinha e hoje em dia ela vai e se diverte muito e se alguém oferece algo, ela logo pergunta - “Tem glúten? Porque eu sou celíaca!” Agora em março/11 faz 1 ano e 6 meses que ela foi diagnosticada celíaca e já repetiu a endoscopia e as vilosidades de seu intestino não estão mais atrofiadas. Eu e meu esposo participamos de uma pesquisa genética na UNIFESP e qual não foi a minha surpresa ao descobrir que eu carrego o gene da DC, mas em mim a doença ainda não se manifestou. Mas a partir daí eu encontrei respostas para a minha infertilidade e 2 perdas gestacionais.

Neste 1 ano e meio eu divulguei a DC em vários lugares e dei aula de culinária sem glúten aqui em SP. Conheci muitos Chefs de cozinha e falei sobre a DC com eles. A Palmirinha me disse que muitas pessoas pedem receitas sem glúten, mas ela não entende desse ramo. Dei a ela o gibi da ACELBRA e ela disse que vai precisar da minha ajuda quando for novamente para uma nova emissora de TV. QUEM SOU EU? Não sou culinarista e não tenho o dom de criar receitas sem glúten. Mas descobri que ser mãe não é só engravidar e dar a luz. Eu me realizo como mãe a cada dia, tendo a oportunidade de cuidar da minha filha, de dar palestra sobre a DC, de divulgar a nossa condição, de fiscalizar as empresas e de tentar construir um mundo melhor.

Minha filha está fazendo acompanhamento com uma alergologista / imunologista do Hospital das Clínicas. Ela pediu uma endoscopia com biópsia do esôfago para analisar os eosinófilos intra-epiteliais, argumentando que algumas alergias são vistas somente através deste exame. Ela fez junto com a endoscopia que a gastro já havia pedido. Não deu nada. Mas me explicou que pessoas que tem doença auto-imune (no caso, a DC), tendem a produzir quadros alérgicos sem que necessariamente apareça em exames.

 É como outro gastro me disse: o exame pode dar negativo, mas se você comer e te fizer mal, abstenha da sua dieta. Isso vale para comida e para produtos de higiene.

Novamente ela escreve em outro tópico :

Exame genético - 30/04/2010

Boa noite! Meu exame HLA deu positivo p/DR7-DQ2
Meninas, estou com uma imensa vontade de chorar! Eu, meu esposo e a minha filha (que é celíaca), fizemos o exame HLA em dez/09 (pesquisa feita pela UNIFESP).

A médica acabou de me ligar informando o resultado:

Meu esposo = negativo
Minha filha celíaca = DR7 DQ2
Eu = DR7 DQ2 (exame compatível com DC).

Fiz a endoscopia com 4 porções de biópsia do duodeno há dois meses e deu negativo. A médica que me ligou agora disse que é para eu ficar de olho nos sintomas, porque eu posso nunca desenvolver a DC, como ela pode desencadear de repente, em algum momento da minha vida. Eu tenho me sentido melhor mesmo, fazendo a dieta sem glúten. Mas não faço 100%, ou não fazia até agora.

Ao mesmo tempo que me sinto liberta e encontro respostas para diversos problemas de saúde que eu tenho, também me sinto triste. É óbvio que não é culpa minha a A. ter herdado isso de mim. Não somos leigos e analisando a frio sabemos como acontece o processo. Mas sentimentalmente, é muito ruim. Me pergunto: por que justo eu?

O pior é que a minha mãe tem osteoporose, úlcera há mais de 30 anos, diverticulite, refluxo, depressão e já teve 2 abortos espontâneos. Ou seja, creio que ela deve ser celíaca e não sabe. Esta médica que está envolvida neste projeto vai ver se consegue fazer algo por ela (exames), porque os gastros da assistência médica dela se recusam a pedir os exames. O problema maior é que mesmo que ela faça a endoscopia com biópsia e dê positivo para DC, não creio que ela irá aderir à dieta.

Me desculpem o desabafo, mas neste momento o que eu estou sentindo é tristeza. Sei que vai passar. Sei que existem doenças piores. Não estou reclamando da vida. Mas em meio a uma família que não tem problema nenhum, eu paro para me perguntar: só eu tive problemas para engravidar por ter ovários policísticos. Só eu perdi quatro bebês, sendo que dois deles nasceram vivos e não sobreviveram. Só a minha filha é celíaca na família e agora descubro que ela herdou de mim (não que seja minha culpa, é obvio!). Mas sabe aquele sentimento de incompetência que às vezes nos toma? Pois é... Nesse momento é isso que eu estou sentindo.

Ela continua nesse tópico:

Primeiro dia na escolinha - 22/09/2010 Pessoal, a babá da A. nos deixou e eu resolvi colocá-la na escolinha. Estava protelando devido termos descoberto a DC em setembro do ano passado. Até então, ela vivia doentinha e quando ia a escolinha (era uma outra), o pulmão ficava cheio de secreção e ela entrava no antibiótico. Bem, ontem foi o primeiro dia (meio período). Quando fui buscá-la perguntei:

- Como foi o lanchinho, filha?
- Foi legal, mamãe. Eu não dei o meu lanchinho prá ninguém, mas uma menina ofereceu o lanche dela prá mim - disse a minha filha de 3 anos.
- E você disse o quê, filha?
- Eu falei que não podia comer o lanche dela.
- E aí? - perguntei eu aflita. - Ela me perguntou porque e eu disse:
 - Ué, porque eu sou celíaca! (disse num tom de obviedade como se a menininha de 3 anos soubesse o que é DC).

A professora dela disse que foi engraçado. Ela respondeu que era celíaca e a menina disse:
- “O que é isso?”
E a minha filha respondeu que não sabia e ficou por isso mesmo. Estou aliviada por vê-la tão feliz fazendo amigos na escolinha.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

DOENÇA CELÍACA

Alguns pacientes com hipersensibilidade ao glúten me perguntam se podem ter a Doença Celíaca. Eu acredito que alguns dos meus pacientes são sim celíacos, pois se encaixam nos sintomas atípicos da doença e com a dieta de eliminação apresentam melhora significativa de todos os sintomas. Mas, para o diagnóstico é necessário além dos exames de sangue uma biópsia intestinal para confirmação.
Resolvi postar sobre o assunto porque as dúvidas são muito frequentes.



A doença celíaca é uma intolerância permanente ao Glúten que acomete indivíduos com
predisposição genética.

Geralmente se manifesta na infância, entre o primeiro e o terceiro ano de vida (na introdução de alimentação à base de papinhas engrossadas com cereais proibidos, com bolachas, pão, sopinhas de macarrão...), podendo
surgir em qualquer idade, inclusive no adulto.

O glúten é uma proteína presente no TRIGO, na AVEIA, na CEVADA (no subproduto
da cevada, que é o MALTE) e no CENTEIO e em todos os
alimentos e produtos preparados com esses cereais.

O Glúten não desaparece quando os alimentos são assados ou cozidos.

A fração tóxica do Glúten encontrada no TRIGO é chamada de Gliadina.

O Glúten agride e danifica as vilosidades do intestino delgado prejudicando
a absorção dos nutrientes dos alimentos.

Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa. O quadro clínico mais comum é caracterizado por diarréia crônica acompanhada de barriga inchada e perda de peso, além de vômitos, anemia, atraso no crescimento, irritabilidade e apatia.

FORMA CLÁSSICA:

- Diarréia Crônica;

FORMA ATÍPICA:

- Baixa estatura;


- Anemia por deficiência de ferro refratária à ferroterapia oral, anemia por deficiência de folato e vitamina B12;


- Osteoporose;


- Hipoplasia do esmalte dentário;


- Artralgias ou artrites;


- Constipação intestinal refratária ao tratamento;


- Atraso puberal, irregularidade do ciclo menstrual;


- Esterilidade;


- Aborto de repetição;


- Ataxia, epilepsia (isolada ou associada a calcificação cerebral), neuropatia periférica, miopatia;


- Manifestações psiquiátricas (depressão, autismo, esquizofrenia);


- Úlcera aftosa recorrente;


- Elevação das enzimas hepáticas sem causa aparente;


- Fraqueza ou perda de peso sem causa aparente;


- Edema de aparição abrupta após infecção ou cirurgia;


GRUPOS DE RISCO:

- Familiares de primeiro grau de pacientes com doença celíaca;


- Anemia por deficiência de ferro refratária à ferroterapia oral;


- Redução da densidade mineral óssea;


- Atraso puberal ou baixa estatura sem causa aparente;


- Portadores de doenças auto-imunes como diabetes melito insulino dependente, tireoidite auto-imune, deficiência seletiva de IgA, síndrome de Sjögren, colestase auto-imune, miocardite auto-imune;


- Síndrome de Down;


- Síndrome de Turner;


- Síndrome de Williams;


- Infertilidade;


- História de aborto espontâneo;


- Dermatite herpetiforme

Informações retiradas do site: http://www.semgluten.com.br