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*Graduada em Nutrição, Araçatuba 2007. Especialista em Nutrição Funcional (VP São Paulo, 2010), Nutrição Ortomolecular (FAPES, São Paulo 2012) e Fitoterapia Funcional (VP Campinas, 2014). Participação ativa em Congressos e Cursos da área Funcional. *Atendimento em consultório desde 2008. Clínica Portinari - 18 3305-5838
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Dieta sem glúten reduz a inflamação, adiposidade e resistência à insulina associada à indução de PPAR-alfa e PPAR-gama expressão.

Artigo brasileiro do Departamento de Alimentos, Faculdade de Farmácia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG.
 
Ele demonstra que a exclusão do glúten foi eficaz para redução da resistência à insulina e síndrome metábólica em pessoas que não tem a doença celíaca.
 
Muito interessante saber que já estão saindo artigos brasileiros sobre o assunto!!!
 
 
 
2012 Dec 17. pii: S0955-2863(12)00226-4. doi: 10.1016/j.jnutbio.2012.08.009. [Epub ahead of print]
 

Gluten-free diet reduces adiposity, inflammation and insulin resistance associated with the induction of PPAR-alpha and PPAR-gamma expression.

Source

Departamento de Alimentos, Faculdade de Farmácia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brazil; Departamento de Bioquímica e Imunologia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brazil. Electronic address: fabiola_lacerda@yahoo.com.br.

Abstract

Gluten exclusion (protein complex present in many cereals) has been proposed as an option for the prevention of diseases other than coeliac disease. However, the effects of gluten-free diets on obesity and its mechanisms of action have not been studied. Thus, our objective was to assess whether gluten exclusion can prevent adipose tissue expansion and its consequences. C57BL/6 mice were fed a high-fat diet containing 4.5% gluten (Control) or no gluten (GF). Body weight and adiposity gains, leukocyte rolling and adhesion, macrophage infiltration and cytokine production in adipose tissue were assessed. Blood lipid profiles, glycaemia, insulin resistance and adipokines were measured. Expression of the PPAR-α and γ, lipoprotein lipase (LPL), hormone sensitive lipase (HSL), carnitine palmitoyl acyltransferase-1 (CPT-1), insulin receptor, GLUT-4 and adipokines were assessed in epidydimal fat. Gluten-free animals showed a reduction in body weight gain and adiposity, without changes in food intake or lipid excretion. These results were associated with up-regulation of PPAR-α, LPL, HSL and CPT-1, which are related to lipolysis and fatty acid oxidation. There was an improvement in glucose homeostasis and pro-inflammatory profile-related overexpression of PPAR-γ. Moreover, intravital microscopy showed a lower number of adhered cells in the adipose tissue microvasculature. The overexpression of PPAR-γ is related to the increase of adiponectin and GLUT-4. Our data support the beneficial effects of gluten-free diets in reducing adiposity gain, inflammation and insulin resistance. The data suggests that diet gluten exclusion should be tested as a new dietary approach to prevent the development of obesity and metabolic disorders.
Copyright © 2012 Elsevier Inc. All rights reserved.

TRADUÇÃO:  (GOOGLE TRADUTOR)

Exclusão glúten (proteína presente complexo em muitos cereais) tem sido proposto como uma opção para a prevenção de outras doenças que não a doença celíaca. No entanto, os efeitos de dietas sem glúten sobre a obesidade e os seus mecanismos de acção ainda não foram estudados. Assim, nosso objetivo foi avaliar se a exclusão do glúten pode impedir a expansão do tecido adiposo e suas conseqüências. Murganhos C57BL / 6 foram alimentados com uma dieta rica em gordura contendo 4,5% de glúten (de controle) ou sem glúten (GF). Os ganhos de peso corporal e de gordura corporal, de rolamento de leucócitos e a aderência, a infiltração de macrófagos e a produção de citocinas no tecido adiposo foram avaliados. Perfis sanguíneos de lipídios, glicemia, resistência à insulina e adipocinas foram medidos. A expressão do PPAR-α e γ, lipoproteina lipase (LPL), a hormona lipase sensível (HSL), palmitoil-carnitina aciltransferase-1 (CPT-1), receptor de insulina, GLUT-4 e adipocinas foram avaliados em gordura epidydimal. Sem glúten animais apresentaram uma redução no ganho de peso corporal e adiposidade, sem mudanças na ingestão de alimentos ou excreção de lipídios. Estes resultados foram associados com a regulação positiva de PPAR-α, LPL, HSL e CPT-1, que estão relacionados com a lipólise e oxidação de ácidos gordos. Houve uma melhora na homeostase da glicose e pró-inflamatória superexpressão relacionadas ao perfil de PPAR-γ. Além disso, a microscopia intravital mostraram um menor número de células aderidas na microvasculatura do tecido adiposo. A sobre-expressão de PPAR-γ está relacionado com o aumento de adiponectina e GLUT-4. Os nossos dados suportam os efeitos benéficos das dietas sem glúten em reduzir o ganho de adiposidade, inflamação e resistência à insulina. Os dados sugerem que a exclusão de glúten dieta deve ser testado como uma nova abordagem de dieta para prevenir o desenvolvimento da obesidade e distúrbios metabólicos.

sábado, 17 de março de 2012

Planejar alimentação pode ajudar a resistir às tentações e seguir a dieta.




É essencial criar uma rotina que permita que o planejamento seja cumprido. Especialistas deram dicas para não sabotar e se enganar na dieta.

O Bem Estar desta quarta-feira (14) falou sobre as sabotagens que os gordinhos fazem durante a tentativa de perder peso. Erros de cognição e percepção levam as pessoas a agir de maneira errada diante da obesidade. É preciso ficar atento a isso e driblar as tentações que podem diminuir o efeito das dietas.

Segundo o entendimento dos psiquiatras que trabalham com a terapia cognitiva comportamental, um tipo de psicoterapia, o problema de boa parte dos obesos é que eles não recebem ensinamentos para prestar atenção nos pensamentos que sabotam a mudança da alimentação. Esses pensamentos são decorrentes de suas histórias pessoais e da interação com maridos, pais, avós, filhos.

Além disso, alguns comportamentos têm de ser alterados: disponibilidade de certos alimentos em casa, disposição dos alimentos na geladeira, intervalo entre as refeições, duração da refeição entre outros. Veja abaixo os principais erros e desculpas que as pessoas usam para diminuir a culpa na hora de escorregar na dieta:

Principais erros
- Pensar que merece uma recompensa (um chocolate, por exemplo) por algo bom ou ruim que passou

- Criação de desculpas para interrupções na dieta, como "já fiz exercícios hoje, posso exagerar"

- Pensar que vai mudar os hábitos, emagrecer e depois poder voltar a comer o que quiser

- Pensamento do "tudo ou nada": o obeso come um brigadeiro, pensa que já está tudo perdido e come um hambúrguer, batata frita e milk shake. Assim, o erro de 550 calorias vira um erro de 3.000 calorias

A terapia cognitiva comportamental considera que crenças levam a pensamentos, emoções negativas ou positivas. Identificar as crenças negativas e os pensamentos e ações negativas que delas decorrem e treinar novos pensamentos e atitudes ajuda a mudar as sensações e ações.

O consultor e endocrinologista, Alfredo Halpern, acredita que os alimentos oferecidos por avós, maridos e amigos durante a dieta são crenças.

Por exemplo, os alimentos calóricos e gostosos das avós são sinal de carinho e, para elas, gordura é sinal de saúde. Para os maridos, a gordura pode ser garantia de fidelidade e atenção. Já para os amigos e amigas que também são obesos, é certeza de companhia e apoio nas comilanças.

Outro sabotador que pode aparecer no caminho dos gordinhos é o garçom – ele vai oferecer tudo que há no cardápio, mas é essencial optar pelo mais saudável e saber recusar as tentações.

A dica dos especialistas é identificar a fome para não confundi-la com a vontade aleatória de comer. É preciso levar a alimentação saudável a sério e evitar alimentar-se fazendo outras coisas. Dividir a mesa com amigos e familiares também pode ajudar. Veja abaixo outras sugestões para não escorregar:

Dicas
- Evite comer quando estiver irritado, estressado, triste ou feliz
- Planeje a alimentação e crie uma rotina que permita que esse planejamento seja cumprido
- Evite comidas que fazem perder o controle, como salgadinhos
- Afaste-se de situações que ofereçam tentações
- Saiba dizer ´não´ a quem oferece comida calórica

O obeso deve pensar sempre antes de comer e ver se aquele alimento realmente vale a pena. Será que vale comer uma bala? É importante lembrar que a mudança de hábito passa por um caminho como uma escada e não como um elevador.

A rotina também pode ajudar na dieta, mas caso não seja possível mantê-la, ao comer fora do horário planejado, opte por um legume ou uma fruta. Não se permita escorregar na alimentação e coma algo para distrair e adiar a próxima refeição.

A principal atitude do obeso que pode evitar o ganho de peso e o sucesso da dieta é saber dizer “não”. O importante para a pessoa é perder peso, por isso, é preciso ser assertivo e explicar sem ser agressivo que não quer aquela comida calórica para que as pessoas não passem por cima das suas prioridades.


fonte: http://consulfarma.com/detalhes_noticias.php?id=133727

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ÔMEGA-3

Na edição de Janeiro de 2010 a Revista Saúde abordou um tema interessante sobre a ação do ômega-3 no auxilio do emagrecimento.

O ômega-3 é uma das substâncias que faz muito bem ao organismo. Não é a toa que ele, cada vez mais, vem se tornando um componente presente na vida das pessoas que procuram uma melhora na qualidade de vida. Pessoas de todas as idades e estilos de vida estão utilizando essa substância - presente no óleo de linhaça, peixe e oleaginosas- para melhorar a saúde.

Seu grande sucesso pode estar associado principalmente à ajuda contra doenças cardiovasculares e também a melhora de funções cerebrais (memória, concentração e desempenho), isso porque uma parte significativa do cérebro, dos nervos e da retina dos olhos é composta de cadeias longas poliinsaturadas de ômega-3, como as que são encontradas no óleo de peixe e, essas são essenciais para um ótimo desenvolvimento do cérebro, olhos e sistema nervoso em geral, onde a função destes pode ser prejudicada se não houver uma quantidade significativa dessa substância na dieta.

O ômega-3 também tem sido usado para ajudar os sistemas imunológico, nervoso, reprodutor e outras condições de saúde. Essa substância tem sido muito utilizada por praticantes de atividades físicas pelo poder antiinflamatório que possuem, reduzindo assim as inflamações dos músculos, acelerando sua recuperação, podendo contribuir indiretamente para um aumento no ganho de massa muscular.

Algumas pessoas preferem ingerir suplementos de ômega-3 por sua praticidade, já que não podem ou não querem ingerir esses alimentos citados diariamente. Pelo fato de alguns desses alimentos possuírem um custo elevado (o salmão, por exemplo), sem mencionar que alguns desses alimentos podem ser um pouco calóricos. Então, muitas pessoas preferem os suplementos por não querer aumentar as calorias da dieta e pensam, ainda assim, ter todos os seus benefícios.

Pesquisas realizadas em Barcelona apontaram mais um benefício do ácido graxo ômega-3, substância encontrada principalmente no salmão, sardinha, arenque, cavalinha, atum, bacalhau, truta e óleo de canola e de linhaça, auxilia na proteção do fígado contra os efeitos da obesidade, prevenindo o desenvolvimento da resistência à insulina (condição ligada ao diabetes) e possuem efeitos benéficos na saúde cardiovascular e cognitiva. Outras áreas potenciais incluem o humor e comportamento, visão, risco de cancro e desenvolvimento infantil.

Na edição dessa revista foi relatado um estudo em que o ômega-3 ativa uma proteína celular chamada PPAR-gama, o que melhora a atuação da insulina nas células, facilitando sua tarefa de converter o açúcar em energia. Essa proteína também estimula enzimas responsáveis pela degradação de triglicérides, e de “colesterol ruim”, o LDL, com o consumo de peixes. Também foi constatado, que ele atua na regulação dos níveis de leptina, aumentando assim a sensação de saciedade.

O ideal é que você inclua fontes dessa substância na sua alimentação, porém, deve-se tomar cuidado na preparação dos peixes ou se a fonte for a linhaça, triturá-la na hora do consumo, pois isso irá influenciar na qualidade do produto final. Prefira sempre os peixes assados ou cozidos ao invés de fritos, salgados ou defumados.

** Texto elaborado por Dr. Naum Charles Nascimento, aluno bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa

fonte: vponline.com.br

sábado, 14 de maio de 2011

Emagrecer é fácil?


Em minha prática clínica percebo todos os dias que para emagrecer e equilibrar o organismo é necessário uma única palavra DETERMINAÇÃO... Quem é determinado em todos os aspéctos de sua vida também terá sucesso quando tomar a decisão em perder poucos ou muitos quilinhos!!! Claro que isso requer uma MUDANÇA NO ESTILO DE VIDA. Mudança não só na troca dos alimentos ingeridos mas também mudança de COMPORTAMENTO ALIMENTAR. O legal é que a maioria das pessoas que me procuram estão bucando esta mudança à algum tempo e quando "entramos em conexão" os resultados são fantásticos!!! Brinco sempre com meus pacientes "eu mostro o caminho, mas se você não trilhar nele não obterá nenhum resultado".

Claro que existem aqueles pacientes que não estão em seu momento, me procuram e querem perder peso mas não estão preparados, seja por trabalho, filhos ou qualquer outro motivo e apesar de serem disciplinados e melhorarem muitos dos sintomas apresentados, ainda terão mais dificuldade em perder peso, isso porque o organismo ainda não está em equilíbrio!

Acabei de ler um texto muito interessante e quero compartilhar com vocês. É de um médico que conta como perdeu 25kg em 3 meses com muita determinação e disciplina. Vale a pena ler!!!!


Emagrecer é fácil?

Até o ano passado, se alguém quisesse me encontrar em uma multidão, era muito fácil. Era só procurar o gordo. Agora, 25 quilos mais magro, já não vai ser fácil de me achar levando-se em conta somente meu perfil. Por isso resolvi escrever este post, para discutir um pouco mais da obesidade, das conseqüências e do seu tratamento.

Em 1997, durante um congresso internacional na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, um médico brasileiro me disse: “Paulo, como nós podemos estudar tanto, ajudar tanta gente e continuarmos gordos. Temos que dar um jeito de emagrecer!”

Essa frase ficou martelando na minha cabeça nesses anos todos.

Em 2010, durante um atendimento a um paciente antigo, ele me disse: “Dr. Paulo, o senhor. está muito gordo. Seus pacientes vêm aqui para procurar saúde, eles não podem encontrar um médico gordo desse jeito. Agradeci a sinceridade do paciente e respondi “M, da próxima vez que o senhor vier ao consultório eu não estarei mais gordo”. E cumpri a promessa.

Vamos começar com 3 frases importantes, frases “de gordo”:

- Quero emagrecer para comer as coisas que tenho vontade.

- Não me imagino sem poder comer minha comida favorita.

- Meu maior prazer é quando como uma comida bem gostosa.

Se você se identificou com as frases acima, é bom começar a pensar em abandonar esses dogmas, senão vai continuar gordo, ou vai emagrecer e engordar de novo. Este artigo é para quem está disposto a mudar e emagrecer. Eu, por exemplo, engordei bastante durante a fase preparatória para a defesa do doutorado, 13 anos atrás (época do encontro com meu colega em Nova Iorque), e me mantive gordo até o final do ano passado. Minha alimentação foi ótima durante esses anos, baseada em verduras, legumes, carne e frutas, já há alguns anos parei completamente com as bebidas alcoólicas (com exceção de um brinde de final de ano e alguns pequenos goles para experimentar algum vinho especial), e não me lembro qual foi a última vez que comi algum derivado de trigo, batata ou açúcar. Também tomo bastante sol (sem filtro solar), já que a vitamina D está relacionada à obesidade (Vilarrasa N, Vendrell J, Maravall J, Elío I, Solano E, San José P, García I, Virgili N, Soler J, Gómez JM. Is plasma 25(OH) D related to adipokines, inflammatory cytokines and insulin resistance in both a healthy and morbidly obese population? Endocrine. 2010 Oct;38(2):235-42). Então, por que continuava gordo?

Antes de começar discutir as causas da obesidade, vale a pena falar um pouco da cirurgia bariátrica (as famosas cirurgias para emagrecer), geralmente baseadas na retirada ou diminuição de parte do estômago. Se alguém por acaso quiser seguir esse caminho “fácil”, saiba que vai ter problemas importantes de saúde para o resto da vida. Como o estômago é essencial para a absorção de alguns nutrientes (como vitamina B12, Ferro e ácido fólico), a maioria dos pacientes vai ter que repor esses nutrientes para sempre, muitas vezes na forma injetável. Portanto, é trocar um problema por outro, que a longo prazo pode ser ainda pior. Eu nunca me submeteria a essa cirurgia, que em minha opinião deveria ser indicada para somente para casos extremos. (Muñoz M, Botella-Romero F, Gómez-Ramírez S, Campos A, García-Erce JA. Iron deficiency and anaemia in bariatric surgical patients: causes, diagnosis and proper management. Nutr Hosp. 2009 Nov-Dec;24(6):640-54. Salameh BS, Khoukaz MT, Bell RL. Metabolic and nutritional changes after bariatric surgery. Expert Rev Gastroenterol Hepatol. 2010 Apr;4(2):217-23).

Dito isso podemos começar discutir a obesidade.

Há basicamente três causas mais comuns para a obesidade:

- As causas hormonais, em especial as disfunções da tireóide.

- A resistência à insulina.

- A compulsão alimentar.

Muitas vezes duas ou três causas citadas acima são combinadas, ou seja, é muito comum a pessoa ter ao mesmo tempo compulsão alimentar e resistência à insulina. É essencial um acompanhamento médico para qualquer tratamento para emagrecer. Vou discorrer um pouco sobre cada uma delas.

1. Diminuição da função da tireóide. Como a principal função da tireóide é regular o metabolismo, a relação entre obesidade e diminuição da tireóide já foi bem investigada, embora em obesos mórbidos (os extremamente gordos, com índice de massa corpórea acima de 40) ainda há controvérsias (Rotondi M, Leporati P, La Manna A, Pirali B, Mondello T, Fonte R, Magri F, Chiovato L. Raised serum TSH levels in patients with morbid obesity: is it enough to diagnose subclinical hypothyroidism? Eur J Endocrinol. 2009 Mar;160(3):403-8). O tratamento consiste basicamente de reposição de hormônios da tireóide, embora seja possível tratar de outras formas, como através da acupuntura, fitoterapia e homeopatia (Shen M, Qi X, Huang Y, Lü Y, Cai W. Effects of acupuncture on the pituitary-thyroid axis in rabbits with fracture. J Tradit Chin Med. 1999 Dec;19(4):300-3. Hu G, Chen H, Hou Y, He J, Cheng Z, Wang R. A study on the clinical effect and immunological mechanism in the treatment of Hashimoto’s thyroiditis by moxibustion. J Tradit Chin Med. 1993 Mar;13(1):14-8. Schmidt JM, Ostermayr B. Does a homeopathic ultramolecular dilution of Thyroidinum 30cH affect the rate of body weight reduction in fasting patients? A randomised placebo-controlled double-blind clinical trial. Homeopathy. 2002 Oct;91(4):197-206. Parmar HS, Kar A. Possible amelioration of atherogenic diet induced dyslipidemia, hypothyroidism and hyperglycemia by the peel extracts of Mangifera indica, Cucumis melo and Citrullus vulgaris fruits in rats. Biofactors. 2008;33(1):13-24). De qualquer forma, se a questão for somente essa, basta fazer voltar os níveis normais de hormônios da tireóide no sangue para que o paciente, se não tiver problemas na dieta, voltar ao peso normal.

2. Resistência à insulina. Infelizmente no nosso país (e em outros também), o consumo de produtos de trigo (pão, massas, biscoitos, entre outros) e açúcar são a base da alimentação. Como pode existir um café-da-manhã sem um pãozinho? Fico espantado como em festas, ou mesmo nos cofee-breaks de eventos médicos não há um só alimento sem carboidratos. Um misto de pães, bolachas, torradas, salgados (quase sempre cobertos de farinha e fritos ou assados), acabam se transformando em “comida gostosa” (e muito ruim para a saúde). Sobremesa significa açúcar. Sucos são adoçados com açúcar, e refrigerantes são servidos durante as refeições. Essas substâncias são conhecidas como hidratos de carbono, ou carboidratos.

Os carboidratos são digeridos até açúcares, como a glicose e a frutose. Há carboidratos “melhores ou piores”, ou seja, há carboidratos que não provocam o aumento muito grande de glicose no sangue. Alguns dos piores foram citados acima, como a farinha de trigo e o açúcar. O aumento constante da glicose no sangue acaba provocando um problema chamado resistência à insulina, ou seja, a insulina que deveria levar a glicose para dentro das células com o objetivo de transforma-la em energia, deixa de funcionar corretamente (Roberts CK, Liu S. Effects of glycemic load on metabolic health and type 2 diabetes mellitus. J Diabetes Sci Technol. 2009 Jul 1;3(4):697-704).

O número de diabéticos nos EUA tem crescido assustadoramente, e há projeções que em 40 anos quase 30% dos americanos estarão diabéticos (Boyle JP, Thompson TJ, Gregg EW, Barker LE, Williamson DF. Projection of the year 2050 burden of diabetes in the US adult population: dynamic modeling of incidence, mortality, and prediabetes prevalence. Popul Health Metr. 2010 Oct 22;8:29). A principal causa do diabetes (a do tipo 2, o diabetes mais comum) é a resistência à insulina,

A glicose não pode ficar “sobrando” no sangue (diabetes), por isso o pâncreas produz insulina, que vai dispor a glicose para as células do corpo fabricarem energia (principalmente as células musculares)( Choi K, Kim YB. Molecular mechanism of insulin resistance in obesity and type 2 diabetes. Korean J Intern Med. 2010 Jun;25(2):119-29).

Hoje em dia a obesidade também faz parte de uma “doença” (não é especificamente uma doença mas um conjunto delas), chamada de “síndrome metabólica”. A síndrome metabólica consiste basicamente de hipertensão, aumento da resistência à insulina, aumento das gorduras no sangue (colesterol, triglicérides) e obesidade. A Síndrome metabólica é uma das principais causas das doenças cardiovasculares como o infarto do miocárdio (“ataque cardíaco”) e do acidente vascular cerebral (“derrame”). Portanto estar gordo com resistência à insulina aumentada é um passo para morrer mais cedo. (Mottillo S, Filion KB, Genest J, Joseph L, Pilote L, Poirier P, Rinfret S, Schiffrin EL, Eisenberg MJ. The metabolic syndrome and cardiovascular risk a systematic review and meta-analysis. J Am Coll Cardiol. 2010 Sep 28;56(14):1113-32). O tratamento da sindrome metabólica é mais complexo, e envolve medicação, dieta pobre em carboidratos e aumento da atividade física (exercícios). (Isharwal S, Misra A, Wasir JS, Nigam P. Diet & insulin resistance: a review & Asian Indian perspective. Indian J Med Res. 2009 May;129(5):485-99. Brand-Miller J, McMillan-Price J, Steinbeck K, Caterson I. Dietary glycemic index: health implications. J Am Coll Nutr. 2009 Aug;28 Suppl:446S-449S. Kouki R, Schwab U, Lakka TA, Hassinen M, Savonen K, Komulainen P, Krachler B, Rauramaa R. Diet, fitness and metabolic syndrome – The DR’s EXTRA Study. Nutr Metab Cardiovasc Dis. 2010 Dec 24)

3. Por fim, vou falar da compulsão alimentar, e neste item vou falar um pouco da minha experiência pessoal. Essa é uma área bem mais complicada para o tratamento médico, e para compreendê-la é necessário “sentir na pele”. Muitos colegas tratam a compulsão alimentar com antidepressivos ou anorexígenos (remédios para tirar a fome), mas o mais importante é a consciência e a mudança da postura em relação à comida.

Muitos gordinhos foram superalimentados quando criança, e muitos vêm de famílias onde a comida tem uma importância fundamental. Nestas famílias o “carinho” é feito através da comida, onde a mãe oferece a “comida gostosa” como forma de agradar a criança. Infelizmente essa relação carinho/comida faz com que o indivíduo acabe gostando de comer, e para se sentir gostado, ingere uma quantidade enorme de comida. Esse caminho acaba levando a uma espécie de doença, onde em cada dificuldade da vida, a ansiedade é combatida colocando-se mais e mais comida dentro do estômago, como forma de compensação. E a pessoa vai ficando cada vez mais gorda, se sentindo pior, e necessitando de mais comida, que a exemplo das drogas (como a cocaína ou a heroína) produz um bem estar durante alguns minutos, mas que é seguido de culpa e diminuição da auto-estima. E se essa atitude não for combatida como um vício em drogas, nenhum tratamento será eficaz, com a recaída levando a uma nova crise, onde a pessoa emagrece 10 e engorda 20 quilos.

Eu pessoalmente combati esse problema, que era a minha principal causa de continuar gordo. Alguns alimentos como a castanha-de-cajú e o requeijão eram problemáticos. Eu não podia nem experimenta-los que desencadeavam a compulsão. Tomei a resolução que iria abandonar estes alimentos para o resto da vida. Mas o mais importante foi entender que enquanto eu me rendesse ao mecanismo de “prêmio-recompensa” da comida, eu estaria perdido e gordo para sempre. E acabei entendendo que ou eu seria magro ou comeria comida gostosa, e tive que escolher. E escolhi ser magro.

O tratamento que fiz envolveu alterações da quantidade e da qualidade da comida, o uso de medicamentos da Medicina Tradicional Chinesa (compostos de ervas) e acupuntura, que eu mesmo me apliquei nos pontos para corrigir o metabolismo. Eu também nunca parei de fazer exercícios físicos, mas a partir do momento que iniciei a dieta mantive a regularidade, nadando pelo menos 3 vezes por semana.

O resultado foi um emagrecimento de 25 quilos em 3 meses, sem perda muscular. Hoje estou bem mais feliz, porque estou mais magro, e também porque me libertei da prisão que é a “refeição por prazer”. É uma liberdade que nunca soube que existia.

texto retirado do site: http://saudeblog.wordpress.com/