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*Graduada em Nutrição, Araçatuba 2007. Especialista em Nutrição Funcional (VP São Paulo, 2010), Nutrição Ortomolecular (FAPES, São Paulo 2012) e Fitoterapia Funcional (VP Campinas, 2014). Participação ativa em Congressos e Cursos da área Funcional. *Atendimento em consultório desde 2008. Clínica Portinari - 18 3305-5838

quarta-feira, 19 de maio de 2010

LINHAÇA: MARROM OU DOURADA?


A linhaça é um alimento que está cada vez mais sendo estudado e divulgado no Brasil. Mas sempre existe a famosa dúvida: qual variedade é melhor, a marrom ou a dourada? E de maneira geral a linhaça dourada acaba sendo a mais indicada, por apresentar mais benefícios. Diante da grande diferença de preço entre elas, a idéia da mais cara (dourada) ser também a que tem mais benefícios parece se acomodar mais tranqüilamente.

Reportagem entitulada “Linhaça – Benefícios” sobre as propriedades benéficas da linhaça na saúde, diz o seguinte: “Considerada um alimento rico em fibras, a casca contém proteínas, minerais e vitaminas. Possui ainda ômega 3 (especialmente a chamada linhaça dourada) e ômega 6”.

Para saber quais são os benefícios das variedades da linhaça é necessário entender sua composição nutricional, suas propriedades. A linhaça (Linum usitatissimum L.) é uma planta pertencente à família das Lináceas. Apresenta uma quantidade interessante de proteína, cerca de 21 a 26% da composição total, lembrando que por ser de origem vegetal não complica o processo de digestão, utilizando menos ácido clorídrico. Além disso, o perfil de aminoácidos dela inclui três especificamente (valina, leucina, isoleucina) que são essenciais para os praticantes de atividade física e atletas.

Em relação aos carboidratos, estes equivalem a 30% da composição da linhaça, sendo 28% apenas fibras, entre solúveis e insolúveis. Com destaque para a lignina vegetal, fibra insolúvel, ela possibilita a eliminação de microorganismos intestinal, permitindo um equilíbrio entre as bactérias intestinais, forma substâncias que serve de alimento as paredes do intestino, nutrindo melhor a em conseqüência fazendo com o intestino seja mais eficiente em evitar a passagem de substâncias prejudiciais para o sangue. Pode também reduzir o colesterol por se ligar aos ácidos biliares no intestino. Dá mais volume e fluidez para as fezes, contribuindo para a melhora de casos de prisão de ventre.

Possui fitoquímicos (lignanas, fitosteróis e flavonóides) que tem atividade antioxidante, anticâncer e antibiótica. Possui vitaminas e minerais, com destaque para a vitamina E, potássio e magnésio. A vitamina E é importantíssima na composição da linhaça, pois protege os ácidos graxos poliinsaturados da oxidação.

Rica em lipídeos, sendo, inclusive, classificada como oleaginosa. Sua composição de lipídeos varia entre 36 e 42%, principalmente de w-3 (ácido graxo ômega-3). Por conta desse componente apresenta benefícios contra dor e inflamação, pode fortalecer o sistema imunológico, reduzir o risco de certos tipos de câncer, evitar formação de placas de ateroma e melhorar a saúde da pele, cabelo e unhas.

No Brasil o cultivo de linhaça dourada é bem mais recente do que o de linhaça marrom, sendo que somente no final do ano de 2006 foi feita a primeira colheita desta coloração. Até então essa variedade era importada do Canadá.

A cor da casca varia de acordo com a quantidade de pigmentos da semente e que normalmente varia de acordo com as técnicas de cultivo. Agora quando analisada a composição nutricional entre as duas variedades observa-se que é quase a mesma, com diferenças quase que insignificantes. Por exemplo, em relação às proteínas, a linhaça marrom apresenta 22,3% enquanto a linhaça dourada apresenta 29,2%. Quanto aos lipídeos totais a marrom apresenta um valor de 44,4% enquanto a dourada apresenta 43,6%. E o mais interessante é a diferença entre a composição de w-3, que apesar de pequena é maior na variedade marrom do que na dourada, 58,2% e 50,9% respectivamente, o contrário do que diz a reportagem. Já de acordo com outro estudo, a % de ômega-3 encontrada na análise de composição nutricional foi cerca de 10% maior na variedade dourada, no entanto, o benefício observado na diminuição do crescimento dos tumores foi o mesmo entre as duas variedades de linhaça.

Outra pesquisa diz o seguinte “Na verdade, uma não é melhor do que a outra: ambas são ricas em lignanas e fibras dietéticas. A marrom é cultivada em regiões de clima quente e úmido, como o Brasil, e a dourada é plantada em regiões frias como o Canadá e o norte dos Estados Unidos. No cultivo da linhaça marrom são utilizados agrotóxicos, enquanto a dourada é cultivada de forma orgânica”. Porém, considerando que a variedade dourada está agora sendo plantado no Brasil não se pode garantir que não há utilização de agrotóxicos. Assim como pode existir também o cultivo de linhaça marrom orgânica. De uma forma ou de outra, não há diferença entre a composição nutricional.

Assim acredita-se que a divulgação da linhaça dourada como superior a marrom seja baseada em outras questões que não sua composição ou benefícios. Talvez seja pelo fato de existirem mais estudos com a linhaça dourada. Por conta disso a escolha deve ser baseada em outros fatores, como preço e aparência visual.

fonte: vponline

sábado, 10 de abril de 2010

Probióticos – Os melhores amigos do intestino




Sabia que o seu intestino é o ponto de contacto mais frágil entre o exterior e o interior do corpo?

É por essa razão que convém mantê-lo saudável e a funcionar na perfeição.

Conheça os probióticos, os melhores aliados naturais para ajudar a fazê-lo.

O aparelho digestivo, nomeadamente o intestino, está povoado por milhões de bactérias que formam aquilo a que designamos por flora intestinal. Entre eles contam-se os probióticos. Estes magníficos seres, ao contrário de muitas bactérias, são benéficos, melhorando todo o processo digestivo e a saúde em geral. No entanto, por serem extremamente frágeis, devemos ter cuidados especiais para evitar a sua destruição e zelar para que se mantenham de boa saúde.

Principais benefícios dos probióticos
- Facilitam o processo digestivo, ajudando a produzir enzimas essenciais para degradar os nutrientes mais complexos, aumentando a assimilação dos mesmos;
- Diminuem as diarreias, os gases intestinais e a obstipação;
- Previnem as infecções causadas por fungos, leveduras e bactérias nocivas, normalizando o PH intestinal;
- Produzem antibióticos naturais que, ao serem absorvidos pela corrente sanguínea, combatem infecções existentes em todo o corpo e não só nos intestinos;
- Diminuem a absorção do colesterol;
- Ajudam a remover vários tipos de toxinas, minimizando os seus efeitos nefastos;
- Melhoram a saúde da pele;
- Estimulam o sistema imunitário;
- Normalizam a produção de vitamina K e vitaminas do complexo B, nomeadamente a vitamina B12, no intestino.

Apresentamos-lhe… a sua flora intestinal
Dos probióticos mais conhecidos fazem parte espécies de bactérias como a Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus rhamnosus, Bifidobacterium longum, Bifidobacterium bifidum. Cada um destes probióticos tem funções específicas, mas a sua interacção potencia os benefícios de cada espécie.

Lactobacillus acidophilus
É considerado uma das bactérias mais importantes existentes no trato intestinal, com inúmeras acções benéficas:
- Mantém a flora intestinal equilibrada;
- Reduz os níveis de colesterol;
- Inibe a produção de substâncias tóxicas e potencialmente cancerígenas, nomeadamente nitrosaminas;
- Altera a composição dos gases intestinais e inibe a sua produção;
- Evita a destruição de vitaminas, nomeadamente da vitamina B1;
- Produz acido láctico, promovendo a remoção de muitos agentes patogénicos que se formam no intestino;
- Previne infecções fúngicas e génito-urinárias;
- Produz antibióticos naturais e tem um efeito imuno-estimulante;
- Melhora a digestão e absorção dos nutrientes, nomeadamente das proteínas e da lactose.

Bifidobacterium bifidum
Encontram-se em maior quantidade entre a parte inferior do intestino delgado até ao intestino grosso, sendo de salientar as seguintes funções:
- Aumentam a assimilação de ferro, cálcio, magnésio e zinco;
- Protegem o corpo da agressão por bactérias patogénicas pela activação dos macrófagos, evitando a adesão das bactérias patogénicas às vilosidades intestinais;
- Produzem vitaminas como a B6, B9, B12;
- Baixam o PH intestinal e consequentemente o crescimento de bactérias indesejáveis.

Bifidobacterium longum
Predominantes no cólon mas também encontradas no estômago, constituem o primeiro mecanismo de defesa do organismo contra os agentes patogénicos. Para além disso, podem ainda contribuir para:
- Diminuição da diarreia e obstipação;
- Manutenção da flora intestinal;
- Prevenção de tumores intestinais;
- Aumentar a disponibilidade do valor nutricional de alguns alimentos.

Lactobacillus rhamnosus
São conhecidas pela sua enorme resistência, tendo as seguintes particularidades benéficas para a nossa saúde:
- Têm uma acção anti-tumoral;
- Previnem alergias e estados de hipersensibilidade intestinal;
- Ajudam a combater inflamações e infecções, aumentando a resistência aos vírus e bactérias.

Os melhores suplementos naturais: dose recomendada
Actualmente, factores como o álcool, contaminantes vários, o stresse, o uso excessivo de antibióticos, aliados a uma dieta cada vez mais empobrecida, conduzem a um enfraquecimento da flora intestinal, sendo por isso muitas vezes aconselhado o uso de suplementos naturais rejuvenescedores da flora intestinal. Para isso, deve procurar suplementos que contenham pelo menos 1 bilião a 1,5 biliões de células vivas (por comprimido/cápsula) dos principais probióticos, tomando duas cápsulas/comprimidos com as principais refeições.



Revista EcoNews Nº 8

sexta-feira, 19 de março de 2010

Alergia Alimentar IgG




Inúmeros estudos publicados demonstram que a eliminação completa de alimentos IgG positivos podem trazer melhoras importantes nos sintomas da síndrome de intestino irritável/permeável, Autismo, TDAH, Fibrose Cística, e Epilepsia (1,3,4,5,6,8,13). Jeanne Drisko da Universidade do Kansas descobriu que 20 pacientes com Sindrome do Intestino Irritável (IBS) foram testados positivos para alergia alimentar IgG, tiveram melhoras significantes em dor, frequência de evacuação e na severidade do grau de IBS uma vez que foram eliminados ou alternados os alimentos (4). Um estudo semelhante em IBS descobriu que a eliminação de alimentos baseado em anticorpos de IgG pode ser efetiva na redução de sintomas desta Síndrome(1). I Egger do departamento de neurologia do Hospital da Criança em Londres estudou o papel da eliminação de alimentos IgG em crianças com epilepsia. Ele descobriu que de 45 crianças estudadas, 25 pararam de ter ataques epilépticos e 11 diminuiram os ataques epilépticos durante a terapia com a dieta (5). Um estudo impressionante conduzido por S Lucarelli descobriu que 90% dos pacientes com Fibrose Cística melhoraram após alimentos com IgG positivos serem eliminados da dieta (13). Até mais interessante é a conclusão de Hvatum após ter conduzido sua pesquisa no efeito de alergia alimentar IgG em pessoas com artrite rematóide (AR). Ele descobriu que a produção de anticorpos com reatividade cruzada aumentou incrivelmente no intestino de pessoas com AR (8).
Anticorpos de IgG são os anticorpos que conferem resistência a longo prazo contra infecções após imunizações. Esses anticorpos têm tido uma meia vida muito mais longa que a alergia IgE tradicional e funcionam com uma capacidade muito diferente em células imonológicas. Esse funcionamento diferenciado do IgG causa os sintomas da alergia posteriormente, por essa razão as alergias podem ocorrer horas ou até dias após o alimento danoso ser ingerido. Algumas pessoas toleram um alto grau de alimento sem sofrer nenhum sintoma externo, enquanto outros podem apenas ingerir um pouco do alimento para que os sintomas sejam notáveis. O grau e a severidade dos sintomas variam por causa do perfil genético do indivíduo. Interessante que muitos dos pacientes que tem resposta positiva com a eliminação dos alimentos com antígeno, muitas vezes têm outras anormalidades imunológicas e anormalidades gastrointestinais. É o caso de certas populações de autismo, TDAH, Fadiga Crônica, e artrite reumatóide (2, 11, 16, 17, 19). As anormalidades imunológicas observadas nesses pacientes podem predispor um indivíduo a ter complicações de alergia alimentar IgG.
Esse artigo sobre exame de alergia alimentar escrito por Kelly Dorfman M.S., L.N. e co-fundadora do Developmental Delay Resources (DDR). Apareceu originalmente na newsletter da DDR no outono de 1999.
"Quando reações a alimentos é agressão,baixos níveis de concentração/atenção e convulsões, muitas outras explicações são possíveis. Todos os sistemas do corpo são independentes e tão interligados que desenvolver exames para entender e estudar suas funções discretas pode ser muito difícil. As distinções artificiais colocadas entre os sistemas imunológico e o neurológico dificulta o diagnóstico e tratamento. O diagnóstico impreciso pode ser muito frustrante, mas existem muitos meios de reagir e comunicar. É duvidoso que somente um sistema de exame seja capaz de encontrar e analisar todas as reações possíveis."

quinta-feira, 18 de março de 2010

Probióticos e doenças inflamatórias intestinais


As bactérias que naturalmente habitam nosso intestino possuem funções importantíssimas como a síntese de vitaminas, substâncias antimicrobianas e antiinflamatórias, a produção de enzimas que auxiliam na digestão dos alimentos e a redução dos níveis de colesterol plasmático. Muitos são os estudos e este mês a revista Microbiology, mostrou que as substâncias produzidas pelas bactérias probióticas podem melhorar sintomas presentes em indivíduos com doenças inflamatórias. Isto porque as bactérias são capazes de converter o ácido linoléico proveniente da alimentação no ácido linoléico conjugado (CLA), gordura que é facilmente absorvida pelo intestino. Porém, existem diferentes tipos de CLA e nem todos são benéficos. O CLA é muito encontrado, por exemplo, no leite e em seus derivados. Porém, o leite não faz bem a todas as pessoas, e definitivamente não é o melhor alimento para o tratamento de doenças inflamatórias intestinais. Assim, a manutenção de uma flora intestinal é imprescindível afim de melhorar a produção e a absorção do CLA, um lipídio importante para o sistema imunológico, para o controle do peso corporal, para a redução do colesterol e da resistência à insulina. Lembre-se: o intestino que não funciona pode desencadear muitas doenças.

segunda-feira, 1 de março de 2010

O QUE É NUTRIÇÃO FUNCIONAL?

Nutrição Funcional é uma evolução natural da Ciência do corpo humano. Os profissionais que atuam na Nutrição Clínica Funcional consideram o diagnóstico e o tratamento nutricional centrado no paciente, conforme as características genéticas, bioquímicas e metabólicas dos desequilíbrios funcionais desencadeantes dos processos patológicos, visando à promoção, manutenção e recuperação da saúde, vendo a "PESSOA" como um ser inteiro em seus aspectos fisiológicos, emocionais, sociais e de essência humana.

Os distúrbios funcionais se manifestam por meio de: enxaqueca, insônia, depressão, hiperatividade, distúrbios de concentração e aprendizagem, alterações de humor, ansiedade, compulsões, irritabilidade, problemas gastrointestinais, rinites, sinusites, dores musculares e articulares, fadigas inexplicáveis, dermatites, doenças auto-imunes, obesidade, entre outras. Dessa forma, a Nutrição Funcional possibilita tratar efetivamente as CAUSAS desses distúrbios, restabelecendo o equilíbrio orgânico e PREVENINDO novos problemas.
Princípios da Nutrição Clínica Funcional

1. Individualidade bioquímica;
2. Modulação da expressão gênica pelo meio e pelo nutriente;
3. Tratamento centrado no paciente e não na doença, identificando e tratando causas e não apenas sintomas;
4. Interconexões dos fatores fisiológicos;
5. Equilíbrio nutricional evitando-se carências e excessos;
6. Saúde como vitalidade positiva.



fonte: vponline.com.br

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

GELADEIRA TURBINADA – COMENTÁRIOS SOBRE MATÉRIA PUBLICADA NA REVISTA CORPO A CORPO




A reportagem publicada em edição da revista Corpo a Corpo objetiva orientar o leitor a fazer a melhor escolha no momento das compras e cita vinte alimentos que são considerados indispensáveis a quem quer manter a saúde e, claro, a beleza.

São citados o poder diurético do pepino e da alface, o potencial antioxidante do licopeno dos tomates, a importância das gorduras poli-insaturadas e dos minerais antioxidantes das oleaginosas, e a proteção de peso dos compostos bioativos do brócolis contra o câncer, além da sua grande oferta de cálcio.

Também são lembrados o caráter proteico livre de gorduras saturadas do tofu, a característica antioxidante de frutas como amora, framboesa, cereja, morango e maçã, a presença de ômega-3 nos peixes, e o potencial das fibras da aveia em auxiliar no controle da glicemia, do colesterol, da pressão arterial e do trânsito intestinal.

Não poderiam deixar de estar presentes a cenoura e a abóbora, com toda a sua oferta de beta-caroteno e seus benefícios imunológicos e antioxidantes; ainda, o pão integral, com sua oferta energética, de fibras e de minerais, e nem a linhaça, com seus inúmeros motivos para ser considerada indispensável, como sua grande fonte de fibras, compostos bioativos e antioxidantes, sem falar no ômega-3 que não foi citado.

Para fechar com chave de ouro, a matéria relembra a laranja e sua grande quantidade de vitamina C e fibras, e o azeite de oliva, com todos os benefícios das gorduras monoinsaturadas.

No entanto, a reportagem cita o leite de vaca como indispensável, relatando ainda ser a melhor fonte de cálcio, e ainda seria capaz de prevenir a osteoporose. Neste contexto também se encaixa um de seus derivados, o iogurte, descrito como prático, saudável e de fácil digestão, uma vez que é fermentado.

Como já é bem salientado por inúmeros estudos científicos, o leite de vaca pode ser a maior fonte de cálcio, porém, com certeza, não é a melhor, devido à baixa biodisponibilidade do mineral. Além disso, já é consenso que a osteoporose não significa carência exclusiva de cálcio, podendo até não ocorrer deficiência deste mineral; muitas vezes a causa pode estar relacionada ao status negativo de magnésio, formador da estrutura trabecular óssea. Vale lembrar que, além da concentração de magnésio no leite de vaca ser pequena, a capacidade deste alimento de gerar resíduo ácido sanguíneo leva à resposta fisiológica de remanejar magnésio ósseo para o sangue, na tentativa de manter a homeostase ácido-básica. Sendo assim, além de não ofertar cálcio nem magnésio, o consumo de leite de vaca ainda pode propiciar a retirada de magnésio do osso, favorecendo a desmineralização óssea.

Outro fator a ser considerado é a composição protéica. Além de ser fonte de lactoalbumina e caseína, o leite de vaca contém a beta-lactoglobulina, somente digerida por animais que possuem enzimas na configuração beta, como no caso dos ruminantes, ao contrário dos seres humanos, que possuem enzimas na configuração alfa. Em indivíduos com a saúde intestinal prejudicada, onde há hiperpermeabilidade da mucosa, pode ocorrer absorção de macromoléculas não digeridas, entre elas a beta-lactoglobulina, que poderá desencadear reação alérgica tardia, processo inflamatório e desenvolvimento de doenças crônicas como a obesidade.

Ao mencionar a gelatina, a reportagem salienta o fato de ser prática e saborosa, conter colágeno, água e ser isenta de gorduras e carboidratos. O que a matéria não revela é a quantidade enorme de xenobióticos presentes em alimentos industrializados como a gelatina, entre os quais estão os adoçantes artificiais, corantes e conservantes. Ainda, há diversas opções que são riquíssimas em açúcar.

Já é bem documentado na literatura a capacidade dos xenobióticos de se alojar em células do tecido adiposo e o caráter metabólico deste tecido em produzir células inflamatórias, levando a inflamação e favorecendo o desenvolvimento da obesidade. Sem falar no potencial dos adoçantes artificiais de aumentar o número de receptores intestinais de glicose, favorecendo a maior absorção do nutriente e o surgimento da obesidade. Sendo assim, opções mais saudáveis são as gelatinas de origem vegetal, extraídas de algas, como a agar-agar, incolor e sem sabor, para serem misturadas a sucos de frutas naturais.

Além dos aspectos negativos descritos anteriormente, outro fator presente a todo momento na reportagem é a preocupação excessiva com o valor calórico dos alimentos. Com a identificação do caráter inflamatório da obesidade, o tratamento nutricional não pode mais ser focado apenas na contagem de calorias, uma vez que, por esse raciocínio, a ingestão de um refrigerante zero caloria seria mais benéfico que um suco de frutas natural. Graças aos avanços das pesquisas vemos que isso não é verdade. O teor tóxico de alguns produtos alimentícios, mesmo que reduzidos ou isentos de calorias, pode favorecer mais o acúmulo de gordura que o valor calórico elevado de outros alimentos, que contêm propriedades nutricionais importantes como anti-inflamatórias e antioxidantes.

Quem sofre com isso, segundo a matéria, é a banana, que leva fama de “inimiga da dieta” por ser muito calórica, devendo ser consumida com “moderação”. Além de ser fonte energética, de fibras e de micronutrientes, a polpa da banana, quando verde, é fonte de amido resistente, excelente prebiótico natural, que favorece o crescimento de bactérias intestinais benéficas, auxilia no tratamento da disbiose intestinal e, consequentemente, na prevenção de doenças crônicas, como a obesidade.

Pode parecer um contrasenso, mas a preocupação excessiva com o valor calórico da dieta pode levar à privação da ingestão de alimentos saudáveis anti-inflamatórios e antioxidantes, e à liberação do consumo de alimentos que favorecem o acúmulo de gorduras.

A idéia da reportagem de auxiliar o leitor a se alimentar de forma saudável, começando por informar as melhores opções para a despensa de casa é muito válida, porém é importante estimular o consumo de alimentos, em detrimento de produtos alimentícios. Ainda, cabe ressaltar a importância de orientações nutricionais individualizadas promovidas por um nutricionista.



fonte: vponline.com.br

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Por que o espinafre faz mal à saúde


O consumo do espinafre aumenta a cada dia que passa. O famoso marinheiro Popeye, faz propaganda do alimento, dando a entender que quem come espinafre está sempre forte e pronto para superar qualquer obstáculo. O que poucos sabem, é que no mesmo país de origem do desenho (Estados Unidos), há algumas décadas atrás, a ingestão de leite batido com espinafre (o objetivo era enriquecer a bebida com ferro), causou a morte de crianças recém-nascidas. A doença ficou conhecida como doença do branco do olho azul, pois o branco dos olhos ficava dessa cor. Posteriormente, descobriu-se que a presença do espinafre no leite era a causadora da tragédia, mas na época (1951) o fato foi encoberto e o desenho do marinheiro Popeye continuou a ser exibido.
Por que devemos tomar cuidado com o espinafre
O espinafre é um dos alimentos vegetais que mais contém cálcio e ferro. Entretanto, esses dois minerais são pouquíssimo aproveitados pelo nosso corpo, já que o alto teor de ácido oxálico no vegetal inibe a absorção e a boa utilização desses minerais pelo nosso organismo. Os estudos mostram também que o ácido oxálico do espinafre pode interferir com a absorção do cálcio presente em leites e seus derivados.
Esse fato sugere que o espinafre em uma refeição pode reduzir a biodisponibilidade de cálcio de outras fontes que são consumidas ao mesmo tempo. Por isso, se no seu almoço você comeu uma torta de queijo com espinafre, tenha certeza que grande parte do cálcio do queijo não foi utilizada pelo seu organismo.
Outra grande preocupação é o possível efeito tóxico que a ingestão de grandes quantidades dos fatores antinutricionais presentes na planta pode causar nas pessoas. Com o objetivo de avaliar todos esses problemas, uma pesquisa, que resultou em uma tese de mestrado, foi desenvolvida na ESALQ/USP sob minha orientação. O estudo intitulado "Avaliação química, protéica e biodisponibilidade de cálcio nas folhas de couve-manteiga, couve-flor e espinafre" teve como objetivos verificar se determinadas plantas podiam ser utilizadas na dieta humana, sem causarem prejuízos à saúde e o bem-estar do indivíduo.
A pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP)
As folhas estudadas foram adquiridas no comércio local e a folha de espinafre foi também adquirida de outros dois locais: da Fazendinha da UNIMEP e da horta do Departamento de Horticultura da ESALQ/USP. Essas folhas foram lavadas, secas em estufa e moídas. A seguir, foram acrescentadas nas dietas que foram avaliadas durante o ensaio experimental com duração de 30 dias.
Resultados
Os resultados começaram a impressionar quando verificamos os teores dos dois fatores antinutricionais investigados: ácido fítico e oxálico. A folha de espinafre apresentou valores muito altos em relação às demais. Como conseqüência desse fato, os animais alimentados com a folha de espinafre morreram na primeira semana, e portanto, não puderam ser avaliados até o final do estudo. Várias tentativas foram feitas, utilizando dietas com folhas de espinafre cozidas (acreditávamos que o calor pudesse destruir os fatores tóxicos presentes) ou folhas de espinafre provenientes de outros locais (livres de agrotóxicos que pudessem ter influência).
Contudo os mesmos resultados repetiram-se, ou seja, houve a morte dos animais com hemorragia, tremores e perda de peso. Os rins dos animais mortos foram retirados e analisados pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba/UNICAMP. De acordo com o laudo apresentado pelo Departamento de Patologia, foi comprovado inchaço renal, indicando uma nefrotoxidade, edema celular e depósito de substâncias aparentemente cristalizadas nos túbulos renais, o que provoca disfunção renal.
De acordo com vários pesquisadores, a explicação provável estaria na presença do ácido oxálico no alimento, que além de causar um balanço negativo de cálcio e ferro, em doses superiores a 2g/Kg de peso, pode causar toxicidade nos rins. Já o ácido fítico, quando na proporção de 1% na dieta, seria o responsável pela redução do crescimento dos animais jovens. Na década de 80, estudos já atribuíam ao ácido oxálico sintomas como lesões corrosivas na boca e trato-intestinal, hemorragias e cólica renal, causados pela ingestão de plantas ricas nesta substância. De acordo com esses mesmos estudos, o espinafre que possui a relação de ácido oxálico/cálcio superior a 3, deve ser evitado. Na nossa pesquisa isso foi observado.
Com relação às demais folhas, couve-manteiga e couve-flor, não foi observado nenhum efeito tóxico, verificando-se que a melhor biodisponibilidade e retenção de cálcio nos ossos (73%) ocorreu nos animais que ingeriram a dieta contendo couve-manteiga.
Os resultados desse estudo nos levam a acreditar que o consumo de espinafre deve ser substituído por outros vegetais folhosos, já que os efeitos proporcionados pela ingestão das substâncias antinutricionais presentes na folha, podem ser prejudiciais à absorção de nutrientes importantes para nossa saúde, e essas mesmas substâncias podem causar sérios problemas tóxicos.
Os resultados também sugerem que além da grande presença de ácido oxálico e fítico, provavelmente a folha do espinafre contenha outras substâncias tóxicas, que supostamente levaram à óbito os animais do estudo, bem como causaram o incidente com os recém-nascidos nos Estados Unidos. Essas substâncias, ainda não identificadas, exerceriam ações tóxicas em pessoas mais sensíveis e levariam a chamada "doença do branco do olho azul". Fica claro, portanto, a necessidade de mais estudos elucidativos a respeito do assunto.
Finalizando, a minha dica é que todos procurem dar preferência a outros vegetais folhosos em substituição ao espinafre: a couve, brócolis, folha de mostarda, agrião, as folhas de cenoura, beterraba e couve flor e leguminosas como os feijões, ervilhas, lentilhas e soja são as melhores opções para quem quer consumir fontes alternativas de cálcio e ferro.


Jocelen Mastrodi Salgado - Profª. Titular de Vida Saudável da ESALQ/USP/Campus Piracicaba. Autora dos livros: "Previna Doenças. Faça do Alimento o seu Medicamento" e "Pharmácia de Alimentos. Recomendações para Prevenir e Controlar Doenças", editora Madras.