Quem sou eu

Minha foto
*Graduada em Nutrição, Araçatuba 2007. Especialista em Nutrição Funcional (VP São Paulo, 2010), Nutrição Ortomolecular (FAPES, São Paulo 2012) e Fitoterapia Funcional (VP Campinas, 2014). Participação ativa em Congressos e Cursos da área Funcional. *Atendimento em consultório desde 2008. Clínica Portinari - 18 3305-5838

domingo, 19 de maio de 2013

Alimentação da nutriz

Durante o período de amamentação a mãe deve manter uma dieta balanceada, equilibrada e individualizada para evitar reações como gases, cólicas, irritabilidade e reações alérgicas em seu bebê.

A mãe deve procurar orientação de um profissional nutricionista para fazer as adequações em sua dieta, estas orientações devem ser o mais individual possível, porém vou destacar algumas orientações gerais que podem ajudar as mamães neste período:

- A mãe deve ingerir de 3 a 4 litros de água ao dia, esta é uma orientação que deve ser levada a risca para as mães que estão amamentando!!

- Manter uma alimentação rica em nutrientes com muitos legumes, verduras e frutas;

- Evitar o máximo possível o consumo de alimentos industrializados como enlatados, embutidos, fast food, excesso de açúcar, refrigerantes e alimentos que a mãe sente que aumenta a produção de gases;

- Consumir cereais integrais;

- Realizar 6 refeições ao dia;

- Não consumir bebidas alcoólicas e cigarro;

- Evitar o consumo de alimentos estimulantes como café e alguns chás;

- Observar as reações do bebê quando a mãe consumir alimentos que que tendem a fermentar e casusar cólica como: brócolis, couve flor, repolho, nabo, couve-de-bruxelas;

- O leite e derivados (queijo, iogurte, manteiga, etc) podem causar reações alérgicas em alguns bebês. Os sintomas podem aparecer em minutos ou até horas após a mamada. Podem aparecer como diarreia, reações na pele, gases, coriza ou congestão nasal e tosse;

- O chocolate pode causar irritabilidade e aumentar o peristaltismo  intestinal do bebê;

- As leguminosas (feijões, grãos, favas e lentilhas) são ricas em nutrientes, mas podem causar a formação de gases em certos bebês. Caso isso ocorra, a nutriz pode, inicialmente, variar a qualidade, reduzir a quantidade e fracionar entre as refeições o consumo dos alimentos deste grupo;

- Alimentos que mais frequentemente causam alergia em bebês são: leite e seus derivados, trigo, frutas cítricas, milho, nozes, avelãs, amendoins, amêndoas e mariscos. No caso de reações evidentes, a nutriz deve cortar o consumo dos referidos alimentos e receber orientações específicas acerca da substituição deste alimento ou grupo de alimentos por outros.


Além destas orientações é fundamental que a nutriz descanse durante os períodos de sono do recém nascido. Isto prolonga o tempo da amamentação e colabora para a melhor produção de leite.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Relação entre depressão e dieta

Várias evidências sugerem que os fatores relacionados com o estilo de vida, como a qualidade da dieta contribuem para a prevenção e o tratamento da depressão. Um estudo observacional realizado com 1.046 mulheres demonstrou que um padrão dietético alimentar saudável foi associado com um risco reduzido de distúrbios depressivos clinicamente diagnosticados, enquanto que um padrão dietético rico em alimentos processados e gorduras saturadas foram associados ao aumento de sintomas da depressão.

Diversos estudos demonstram que a depressão compartilha mecanismos fisiopatológicos comuns com a síndrome metabólica, obesidade e doenças cardiovasculares. Os processos metabólicos e inflamatórios, como a redução da sensibilidade à insulina, aumento dos níveis sanguíneos de homocisteína, aumento da produção de citocinas pró-inflamatórias e disfunção endotelial podem ser os fatores responsáveis pela ligação entre a depressão e distúrbios cardiometabólicos.

Por essa razão, padrões dietéticos que reduzem a obesidade e o risco para doenças cardiovasculares podem estar relacionados com a prevenção e contribuir com o tratamento da depressão. Estudos de coorte têm sugerido um papel promissor entre a dieta mediterrânea e prevenção primária da depressão. O estudo de Sánchez-Villegas, em 2009, demonstrou que a maior aderência ao padrão da dieta mediterrânea foi associada com uma redução substancial do risco de depressão.

Outros estudos identificaram que o consumo excessivo de ácidos graxos trans e alimentos do tipo “fast-food” podem estar associados com o aumento do risco de depressão, enquanto que os ácidos graxos ômega-3 e a ingestão de azeite de oliva podem reduzir esse risco.



Texto editado e retirado do site: www.nutrital.com.br

quarta-feira, 17 de abril de 2013

ALIMENTOS PROTETORES CONTRA O CÂNCER DE PRÓSTATA

* Texto elaborado pelo depto. científico da VP Consultoria Nutricional
 
 
 
Um dos tumores mais incidentes no mundo masculino, o câncer de próstata, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), fez 60 mil vítimas em 2012, e um total de 12.778 mortes no ano de 2010. O câncer é caracterizado como enfermidade multicausal crônica constituída por um crescimento desorganizado de células que tendem a perder sua diferenciação e sua prevenção, seja ele de qualquer tipo, tem sido cada vez mais estudada no campo científico. Este crescimento anormal de células de forma progressiva pode ir além de seus limites habituais e invadir tecidos adjacentes, levando ao acometimento de outros órgãos, processo este chamado de metástase, responsável pela principal causa de morte destes pacientes.
Uma reportagem publicada recentemente online no site IG, nos remete a uma entrevista que mostra os dez alimentos comprovados cientificamente que tem influência na prevenção do câncer de próstata: tomate, brócolis, linhaça, goiaba, cenoura, repolho, soja, mamão, couve-flor e melancia. Deste modo, fica evidente a preocupação da população masculina no que refere a este assunto – mas será que apenas estes estão relacionados a uma quimioproteção, ou é um conjunto de fatores que aliados interferem na progressão e prevenção deste tipo de câncer?
No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não melanoma), sendo o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, e representa cerca de 10% do total de cânceres. Segundo o INCA a maior parte dos casos de câncer de próstata tem ocorrido em homens acima de 65 anos e é caracterizado por um crescimento lento e silencioso que ocorre com o passar dos anos.
Fatores genéticos e ambientais (físicos, biológicos e químicos) estão relacionados ao desenvolvimento de uma célula tumorosa, formada inicialmente a partir da mutação ou por alguma ativação anormal de genes que controlam o crescimento e mitose celulares, chamados por sua vez de oncogenes. A ação destes genes específicos acarreta em uma proliferação desordenada da célula, seguida por uma série de mutações de genes. Estas células que sofrem mutação nem sempre levam ao câncer, podendo ser destruídas pelo sistema imune do indivíduo.
Evidências têm mostrado que entre outros fatores, a alimentação tem um papel importante nos estágios de iniciação, promoção e propagação do câncer, sendo que uma dieta adequada poderia prevenir de três a quatro milhões de casos novos de cânceres a cada ano. Diante disso, componentes dietéticos podem sim ser efetivos agentes quimioprotetores, ao reduzir o desenvolvimento do câncer por meio de vários mecanismos em diferentes fases da carcinogênese.
Dos carotenoides que não exercem atividade pró-vitamina A, o licopeno tem um importante efeito protetor, especialmente no câncer de próstata, sendo que a maior fonte deste composto é o tomate, que quando cozido apresenta maior disponibilidade. Alguns estudos mostram que o consumo de tomate revelou reduzir do risco de câncer de próstata em indivíduos acompanhados por vários anos com aplicação de questionário alimentar. Um estudo realizado nos Estados Unidos identificou a concentração de licopeno no plasma sanguíneo e revelou que indivíduos com mais de 65 anos apresentavam uma relação inversa entre níveis de licopeno e risco de câncer de próstata, o que evidencia um provável efeito protetor do mesmo neste tipo de câncer.
Além do licopeno, a vitamina E se mostra quimioprotetora do câncer de próstata conforme algumas pesquisas atuais. Um estudo com homens finlandeses revelou uma redução significativa dos casos de câncer de próstata nos indivíduos que receberam Vitamina E. Assim sendo, alimentos ricos em vitamina E como o gérmen de trigo (fonte mais importante), óleos de soja, arroz, algodão, milho e girassol, amêndoas, nozes e castanhas poderiam estar contribuindo para uma possível redução de risco destes tipos de câncer. Outra potente aliada contra o câncer de próstata segundo alguns estudos é a vitamina D, cujos estudos mostram que a deficiência pode levar a um aumento do risco de câncer de próstata.
Cultivados em solos ricos em selênio, os cereais integrais, castanha do Brasil, farelo de trigo, sementes de girassol e leguminosas, também podem conferir proteção contra certos tipos de cânceres, entre eles o de próstata, pois este mineral atua como antioxidante contra danos da integridade de membrana e da redução da hipermetilação do DNA. Outro possível aliado na proteção contra o câncer de próstata é o resveratrol, importante polifenol, encontrado principalmente nas cascas e sementes das uvas escuras, que pode agir em diferentes fases da carcinogênse (iniciação, promoção e propagação).
Devido a sua constituição rica em nutrientes (folato, fibras, carotenóides e clorofila) e fitoquímicos, as crucíferas (repolho, a couve de Bruxelas, a couve-flor e o brócolis) têm sido amplamente estudadas em relação à prevenção do câncer. Estudos epidemiológicos tem mostrado associação inversa no consumo destes vegetais incluindo com o risco de câncer de próstata. Alguns estudos mostram uma redução de 41% do risco deste tipo de câncer nos homens que consumiam três ou mais porções destes vegetais por semana, em comparação ao grupo que consumia apenas uma vez. Acredita-se que este efeito protetor pode ser mediado, entre outros fatores, por produtos da hidrólise de glicosinolatos presentes nas crucíferas (indóis e isotiocianatos) por meio da atividade da glutationa S-tranferase (GST), que atua na fase II da destoxificação, contribuindo para inativação da carcinogênese e compostos cancerígenos reativos, de forma a proteger o DNA de danos causados por agentes nocivos.
Pela sua composição rica em compostos fenólicos, vitamina C e minerais, o cranberry e seus produtos também têm sido relacionados a uma ação quimiopreventiva contra alguns tipos de câncer devido a sua ação antioxidante, ou seja, exercendo forte poder de proteção que deve ser considerado. Além disso, outros aliados importantes são o chá verde, a soja e a curcumina presente no açafrão. Os componentes bioativos do chá verde por exemplo, mostraram em alguns estudos reduzir a progressão do câncer de próstata nas fases iniciais, porém não nas posteriores; já a soja pode reduzir alguns marcadores inflamatórios. Por outro lado a curcumina, tem mostrado reduzir o adenocarcinoma da próstata in vivo.
Diante destas informações uma alimentação saudável por meio de alimentos diversificados, ricos em vitaminas, minerais e compostos bioativos torna-se essencial na busca de melhor qualidade de vida e longevidade de uma população. Neste contexto, a busca de um efeito quimiopreventivo destes nutrientes e compostos específicos deve ser parte integrante de um acompanhamento nutricional diferenciado, cujo objetivo é suprir deficiências, manter qualidade de vida e prevenir patologias específicas. Assim sendo, uma alimentação nutricionalmente equilibrada, ou seja, com ingestão adequada de alimentos saudáveis e fontes de compostos bioativos importantes, além da modulação da saúde intestinal a fim de permitir melhor absorção destes nutrientes, aliado a atividade física regular e uma redução no consumo de alimentos pró-oxidantes seria uma estratégia potencial na prevenção dos variados tipos de câncer, inclusive o câncer de próstata. Ou seja, equilibrio e qualidade de vida sempre.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CAILLET, S.; CÔTÉ, J.; DOYON, G. SYLVAIN, J.F.; LACROIX, M. Effect of juice processing on the cancer chemopreventive effect of cranberry. Food Research International ;44 :902–910, 2011
CHINNAKANNU, K.; CHEN, D.; LI, Y. ET AL. Cell cycle-dependent effects of 3,3′-diindolylmethane on proliferation and apoptosis of prostate cancer cells. J Cell Physiol;219: 94–9, 2009
CHO, H.J.; PARK, S.Y.; KIM, E.J.; KIM, J.K.; PARK, J.H. 3,3′-diindolylmethane inhibits prostate cancer development in the transgenic adenocarcinoma mouse prostate model. Mol Carcinog; 50: 100–112, 2011
CLEMENT, M.V.; HIRPARA, J.L.; CHAWDHURY, S.H.; PERVAIZ, S. Chemopreventive agent resveratrol, a natural product derived from grapes, triggers CD95 signaling-dependent apoptosis in human tumor cells. Blood; 92: 996–1002, 1998
COHEN, J.H.; KRISTAL, A.R.; STANFORD, J.L. Fruit and Vegetable Intakes and Prostate Cancer Risk. Journal of the National Cancer Institute; 92 (1), 2000
GIOVANNUCCI, E.; ASCHERIO, A.; RIMM, E.B.; STAMPFER, M.J.; COLDITZ, G.A.; WILLETT, W.C. Intake of carotenoids and retinol in relation to risk of prostate cancer. J Natl Cancer Inst; 87:1767-1776, 1995
GIOVANNUCCI, E.; RIMM, E.B.; LIU, Y.; STAMPFER, M.J.; WILLETT, W.C. A prospective study of tomato products, lycopene, and prostate cancer risk. J Natl Cancer Inst.; 94:391-398, 2002
GIBBS, A.; SCHWARTZMAN, J.; DENG, V.; ALUMKAL, J. Sulforaphane destabilizes the androgen receptor in prostate cancer cells by inactivating histone deacetylase 6. Proc Natl Acad Sci U.S.A.; 106: 16663–16668, 2009
HWANG, E.S.; LEE, H.J. Effects of phenylethyl isothiocyanate and its metabolite on cell-cycle arrest and apoptosis in LNCaP human prostate cancer cells. Int. J. Food Sci. Nutr; 61: 324–336, 2010
JANG, M.; CAI, L.; UDEANI, G.O.; SLOWING, K.V.; THOMAS, C.F.; BEECHER, C.W. ET AL. Cancer chemopreventive activity of resveratrol, a natural product derived from grapes. Science; 275:218–220, 1997
PRÓSTATA. Disponível em:
KIM MK, PARK JH. Conference on “Multidisciplinary approaches to nutritional problems”. Symposium on “Nutrition and health”. Cruciferous vegetable intake and the risk of human cancer: epidemiological evidence. Proc Nutr Soc; 68: 103–110, 2009
KRISTAL, A.R.; LAMPE, J.W. Brassica vegetables and prostate cancer risk: a review of the epidemiological evidence. Nutr Cancer; 42:1–9, 2002
LIPPMAN, S.M.; KLEIN, E.A.; GOODMAN, P.J.; LUCIA, M.S.; THOMPSON, I.M.; FORD, L.G.; ET AL. Effect of selenium and vitamin E on risk of prostate cancer and other cancers: the Selenium and Vitamin e Cancer Prevention Trial (SELECT). JAMA; 301:339–51, 2009
POWOLNY, A.A.; BOMMAREDDY, A.; HAHM, E.R. ET AL. Chemopreventative potential of the cruciferous vegetable constituent phenethyl isothiocyanate in a mouse model of prostate cancer. J Natl Cancer Inst; 103: 571–584; 2011
THOMPSON, I.A; COLTMAN JR, C.A; CROWLEY, J. Chemoprvention of Prostate Cancer: The prostate cancer prevention trial. The Prostate; 33:217-221, 1997
VERHOEVEN, D.T.; GOLDBOHM, R.A.; VAN POPPEL, G.; VERHAGEN, H.; VAN DEN BRANDT, P.A. Epidemiological studies on brassica vegetables and cancer risk. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev; 5:733–748, 1996
WANG, L.G.; LIU, X.M.; CHIAO, J.W. Repression of androgen receptor in prostate cancer cells by phenethyl isothiocyanate. Carcinogenesis; 27: 2124–2132, 2006
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Fact sheet: Cancer, 2011. Disponível em: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs297/en/. Acesso em: 23 outubro 2012.
WU, K.; ERDMAN, J.W.; SCHWARTZ, S.J.; PLATZ, E.A.; LEITZMANN, M.; CLINTON, S.K.; ET AL. Plasma and dietary carotenoids, and the risk of prostate cancer: a nested case-control study. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev;13:260-269, 2004

Peito de peru: aliado ou inimigo da dieta?

Peito de peru: aliado ou inimigo da dieta?


Cuidado! Muitas vezes nos equivocamos ao escolher os alimentos, tendo o falso conceito que são mais saudáveis. O peito de peru é um exemplo clássico, já que é muito utilizado em lanches naturais, sendo a opção considerada a mais saudável, por conter menor teor de gordura em relação aos outros embutidos e hambúrgueres. Entretanto, o peito de peru na forma embutida, apesar de ser uma opção mais magra, é rico em sal e em diversos aditivos químicos, de maneira semelhante ao presunto, linguiça e mortadela. Substitua por atum e sardinha, opções práticas e mais saudáveis, por serem ricas em gorduras benéficas (ômega-3).
 
 
 
 
retirado do site: www. vponline.com.br

domingo, 24 de março de 2013

Esclerose múltipla e desequilíbrios nutricionais

A abordagem nutricional no tratamento da esclerose múltipla (EM) deve ser adaptada às necessidades individuais e de acordo com as manifestações clínicas do paciente. Isso porque a conduta nutricional ainda não está bem estabelecida devido à falta de estudos e diretrizes na área.

Apesar de não existir uma abordagem nutricional específica, alguns micronutrientes e compostos bioativos de alimentos são capazes de modular o estresse oxidativo e inibir a produção de moléculas inflamatórias associadas com a EM. Entre eles, os mais importantes são os polifenóis, carotenoides, ácidos graxos ômega-3, vitamina D, selênio e zinco.

O uso de antioxidantes na EM baseia-se na constatação de que o estresse oxidativo, em particular a geração excessiva de espécies reativas de oxigênio (EROs), é um dos componentes mais importantes envolvidos na inflamação e dano neuronal. Por essa razão, a ingestão adequada de antioxidantes, como os polifenóis, carotenoides, selênio e vitamina C pode ser útil para restaurar o equilíbrio oxidativo.

A vitamina D possui um efeito promissor no tratamento de doenças autoimunes devido ao seu papel imunomodulador e sua deficiência é frequentemente encontrada em pacientes com EM.

Os pacientes medicados com esteroides apresentam baixos níveis de zinco e sua deficiência podem predispor os pacientes às úlceras por pressão e causar prejuízos no funcionamento do sistema imune.

Os ácidos graxos ômega-3 (especialmente os ácido eicosapentaenoico [EPA] e ácido docosahexaenoico [DHA]) possuem atividades anti-inflamatória e imunomoduladora, além de exercer efeitos neuroprotetores.
Entretanto, estudos que avaliem abordagens nutricionais específicas são necessárias para confirmar os benefícios desses compostos no tratamento da EM.

A doença é caracterizada por uma reação das células de defesa do sistema imune, as quais, desconhecendo os lipídeos e as proteínas da bainha de mielina como próprias do indivíduo, a atacam e destroem. A degeneração dos axônios impede a comunicação entre os neurônios pela impossibilidade da passagem do impulso elétrico, estabelecendo-se as incapacidades motoras e cognitivas do indivíduo.
A EM é uma doença inflamatória, crônica, desmielinizante (que destrói a bainha de mielina), que prejudica o funcionamento do sistema nervoso central (SNC) por processo autoimune. Trata-se de uma doença multifatorial complexa, em que os hábitos alimentares podem estar envolvidos em sua patogênese.

Os pacientes com EM frequentemente apresentam diferentes desequilíbrios nutricionais, principalmente em decorrência da terapia medicamentosa. O sobrepeso e a obesidade estão geralmente associados ao uso de esteroides, dificuldade de locomoção e menor gasto energético. Por outro lado, o baixo peso ou o desenvolvimento de caquexia podem ser ocasionados pelo uso de drogas imunossupressoras e inibidoras do apetite.



Texto escrito por Rita de Cássia Borges de Castro



 

sábado, 2 de março de 2013

Ômega-3 e déficits neurológicos



As evidências do uso do ácido graxo ômega-3 em transtornos mentais e psiquiátricos são relativamente recentes, mas mostram-se benéficas e promissoras.

Transtornos mentais são importantes causas de disfunção neurológica no mundo todo, afetando desproporcionalmente mulheres, crianças e adolescentes. Com o objetivo de elucidar as possíveis causas e consequências de doenças mentais, pesquisadores começaram a estudar o papel da nutrição na saúde mental. Evidências indicam que os ácidos graxos essenciais, como os da família do ômega-3, apresentam papel fundamental na prevenção e tratamento de diversos transtornos mentais e neurológicos (1,2).


Ácidos graxos ômega-3 são essenciais durante todo o ciclo da vida para o desenvolvimento e funcionamento normal do cérebro. O tecido cerebral é predominantemente composto de lipídeos, incluindo os saturados, monoinsaturados e poli-insaturados. Dentre os ácidos graxos poli-insaturados, o ômega-3 corresponde por cerca de 10 a 20% do total da composição de ácidos graxos no cérebro (1), pois são componentes estruturais fundamentais das membranas de neurônios e também estão envolvidos na bioquímica do desenvolvimento e processos cerebrais e neuronais do sistema nervoso central (3).

Apesar da importância do ômega-3 já estar evidenciada na literatura científica, o consumo de ômega-3 pela população geral, incluindo crianças e adolescentes, é frequentemente inadequado. Evidências sugerem que a deficiência de ômega-3 pode estar associada com diversos problemas de comportamento, desordens neurológicas e psiquiátricas, como por exemplo, déficit de atenção, dislexia, autismo, transtornos bipolares, esquizofrenia e depressão.

Revisão sistemática verificou que a suplementação com ômega-3 em crianças com transtornos de déficit de atenção e hiperatividade é benéfica na melhora dos sintomas gerais, porém modesta (4). Em crianças autistas, resultados premiliminares demonstram que a suplementação com ômega-3 melhora a habilidade motora e cognitiva, sociabilidade, contato visual e concentração, além de reduzir a agressividade, irritabilidade e hiperatividade (5-7)




Referência (s)

1. McNamara RK, Carlson SE. Role of omega-3 fatty acids in brain development and function: potential implications for the pathogenesis and prevention of psychopathology. Prostaglandins Leukot Essent Fatty Acids. 2006;75(4-5):329-49.

2. Ramakrishnan U, Imhoff-Kunsch B, DiGirolamo AM. Role of docosahexaenoic acid in maternal and child mental health. Am J Clin Nutr 2009;89(suppl):958S–62S.

3. Schuchardt JP, Huss M, Stauss-Grabo M, Hahn A. Significance of long-chain polyunsaturated fatty acids (PUFAs) for the development and behaviour of children. Eur J Pediatr. 2010;169(2):149-64.

4. Bloch MH, Qawasmi A. Omega-3 Fatty Acid supplementation for the treatment of children with attention-deficit/hyperactivity disorder symptomatology: systematic review and meta-analysis. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2011;50(10):991-1000.

5. Amminger GP, Berger GE, Schafer MR, Klier C, Friedrich MH, Feucht M. Omega-3 fatty acids supplementation in children with autism: A double-blind randomized, placebo-controlled pilot study. Biological Psychiatry. 2007;61:551-3.

6. Bell JG, MacKinlay EE, Dick JR, MacDonald DJ, Boyle RM, Glen AC. Essential fatty acids and phospholipase A2 in autistic spectrum disorders. Prostaglandins Leukot and Essent Fatty Acids. 2004;71:201-4.

7. Bent S, Bertoglio K, Ashwood P, Bostrom A, Hendren RL. A pilot randomized controlled trial of omega-3 fatty acids for autism spectrum disorder. J Autism Dev Disord. 2011;41(5):545-54


texto retirado do site: www.nutritotal.com.br

sábado, 23 de fevereiro de 2013

BOA ALIMENTAÇÃO, ESTÔMAGO SAUDÁVEL



Em minha prática clínica observo melhora em 100% dos casos de problemas relacionados com dor de estômago, azia, empachamento, etc. É nítido para o paciente após a dieta quais alimentos são veneno para estes sintomas.

É fundamental tratar o intestino nestes casos também!!

Abaixo um excelente texto sobre o assunto, mas lembre-se de procurar sempre um profissional nutricionista para adequar e equilibrar sua dieta!



Texto elaborado pelo depto. científico da VP Consultoria Nutricional


Em países ocidentais, aproximadamente 25% dos adultos apresenta dores ou desconfortos estomacais. O alarmante número justifica-se nos hábitos de vida adotados por esta população: estresse, má alimentação, uso de álcool e fumo são fatores de risco para as patologias do estômago. Devido à alta prevalência, questões relacionadas a estas doenças têm sido constantemente abordadas pela mídia, como na recente publicação da revista Boa Forma intitulada “Dor de Estômago”.
As doenças do estômago mais comuns são a dispepsia funcional (na qual há desconforto gástrico sem alterações estruturais), a gastrite (caracterizada por inflamação visível do órgão) e a úlcera gástrica, na qual a mucosa estomacal apresenta ulcerações. Em todos os casos citados, a patogênese inclui colonização gástrica pela bactéria Helicobacter pylori, secreção deficiente de muco, inflamação da mucosa e aumento do estresse oxidativo. Tais fatores sofrem grande influência da dieta, ou seja: uma boa alimentação pode prevenir ou tratar eficientemente as doenças do estômago.
Um grande mito que permeia o tratamento de úlceras e gastrites é o de que a ingestão de leites e derivados é benéfica nestas patologias. Na verdade, o leite até pode aliviar os sintomas logo quando é ingerido, pois reduz a acidez estomacal, mas como é um alimento extremamente rico em proteínas, acaba por estimular ainda mais a secreção ácida, causando piora dos sintomas, minutos depois. Há também grande possibilidade de uma alergia às proteínas deste alimento aumentar a inflamação gástrica, agravando o quadro.
Alimentos contendo cafeína podem predispor o estômago à infecção por H. pylori. Por isso, café, chá mate, chocolates e refrigerantes podem piorar quadros de gastrites e úlceras. O sal em excesso é outro potente agressor do estômago. Pode causar dano tecidual e até aumentar o risco de câncer gástrico. Sendo assim, alimentos demasiadamente salgados, além de enlatados e embutidos, são também contraindicados em doenças gástricas. Bebidas alcoólicas agridem diretamente as células estomacais, aumentando o estresse oxidativo. São também prejudiciais ao tratamento de doenças do estômago.
A informação de que a dieta de portadores de úlceras e gastrites deve ser restrita em condimentos é extremamente difundida. A ciência, porém, tem demonstrado atividade antiulcerogênica de alguns temperos naturais, como a cúrcuma e o alecrim. A piperina presente na pimenta do reino, porém, tem demonstrado aumentar a secreção ácida no estômago, tendo efeito negativo sobre o tratamento de úlceras e gastrites. Quanto à tão temida pimenta vermelha, não há indícios de que possa agravar quadros de doenças gástricas. Têm sido descritos como antiulcerogênicos também vegetais da família das brássicas, como couve e repolho, e fitoterápicos, como Aloe vera e espinheira santa. Como cada organismo é único, indivíduos diferentes podem apresentar reações distintas à ingestão de diferentes alimentos. A tolerância individual deve ser sempre respeitada.
O tratamento medicamentoso incorreto de tais patologias, visando redução dos sintomas sem focar em suas causas, pode acarretar em consequências sérias. Os medicamentos redutores da acidez estomacal podem aliviar sintomas das doenças do estômago, mas seu uso em longo prazo ou em casos desnecessários resulta em um ciclo vicioso, em que as deficiências de micronutrientes e a baixa acidez estomacal facilitam a colonização por H. pylori. Sendo assim, o paciente não consegue se livrar do medicamento ou da doença.
A elevada ingestão de leite e derivados, alimentos salgados, frituras, bebidas alcoólicas e alimentos contendo cafeína contribui fortemente para a grande prevalência de dores e desconfortos estomacais em países ocidentais. A nutrição exerce papel central na homeostase do estômago, sendo essencial para a prevenção e o tratamento de suas doenças.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1. ANTHONI, S.; SAVILAHTI, E.; RAUTELIN, H.; KOLHO, K.L. Milk protein IgG and IgA: the association with milk-induced gastrointestinal symptoms in adults. World J Gastroenterol; 15(39):4915-8, 2009.
2. BRENNER, H.; ROTHENBACHER, D.; BODE, G.; ADLER, G. Relation of smoking and alcohol and coffee consumption to active Helicobacter pylori infection: cross sectional study. BMJ; 315(7121): 1489–1492, 1997.
3. DIAS, P.C.; FOGLIO, M.A.; POSSENTI, A.; DE CARVALHO, J.E. Antiulcerogenic activity of crude hydroalcoholic extract of Rosmarinus officinalis L. J Ethnopharmacol; 69(1):57-62, 2000.
4. EAMLAMNAM, K.; PATUMRAJ, S.; VISEDOPAS, N.; THONG-NGAM, D. Effects of Aloe vera and sucralfate on gastric microcirculatory changes, cytokine levels and gastric ulcer healing in rats. World J Gastroenterol; 12(13):2034-9, 2006.
5. FURIHATA, C.; OHTA, H.; KATSUYAMA, T. Cause and effect between concentration-dependent tissue damage and temporary cell proliferation in rat stomach mucosa by NaCl, a stomach tumor promoter. Carcinogenesis; 17(3):401-6, 1996.
6. KLEINER, M.; ANDRÉ, S.B.; SAPORITI, L.; LAUDANNA, A.A. Papel do pantoprazol em baixa dose no tratamento ambulatorial da dispepsia funcional, das gastrites e da esofagite de refluxo leve. Rev Bras Med; 59(5):405-412, 2002.
7. MÓZSIK, G.; SZOLCSÁNYI, J.; DÖMÖTÖR, A. Capsaicin research as a new tool to approach of the human gastrointestinal physiology, pathology and pharmacology. Inflammopharmacology; 15(6):232-45, 2007.
8. ONONIWU, I.M.; IBENEME, C.E.; EBONG, O.O. Effects of piperine on gastric acid secretion in albino rats. Afr J Med Med Sci; 31(4):293-5, 2002.
9. SANTOS-OLIVEIRA, R.; COULAUD-CUNHA, S.; COLAÇO, W. Revisão da Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek, Celastraceae. Contribuição ao estudo das propriedades farmacológicas. Rev Bras Farmacog; 19(2B): 650-659, 2009